A pesquisa Marcas de quem decide destaca todos os anos empresas que por sua eficiência tornaram-se referência para os diferentes públicos entrevistados. A série, que completou 20 anos, serve de registro e fonte sobre uma parte importante da história econômica no Rio Grande do Sul. Além dos resultados diretos, o caderno especial, lançado este ano, possibilita observar de forma bastante clara que os negros não estão entre os que decidem nas principais empresas e na economia do Estado.
Nas fotografias das 144 páginas do caderno, praticamente nenhuma apresenta pessoas negras. As exceções aparecem em três anúncios, na fotografia da equipe de recepção, em maior número, e um coordenador de curso, único com direito a fala. Obviamente este dado não tem relação com a pesquisa, mas com os lugares sociais construídos historicamente no Rio Grande do Sul.
A invisibilidade do negro é simples de ser observada também no campo político.
As fotografias das reuniões do primeiro escalão em nível estadual, ou de Porto Alegre - fóruns de decisões políticas -, mostram somente brancos.
Portanto, a tomada de decisões tem recorte étnico-racial, sem falar de gênero. A normalização do discurso sobre uma identidade gaúcha ligada à colonização alemã e italiana faz com que essa leitura a partir da inexistência de diversidade passe despercebida, ou não, pela maioria dos gaúchos.
Essa narrativa de origem apaga a contribuição dos escravizados na construção do Estado e mantém os quase 20% dos gaúchos negros excluídos das decisões. A consequência disso é o imobilismo social para a maioria dos negros. Nos países desenvolvidos, referência para as empresas que se destacam na pesquisa, a diversidade tem sido uma das características que agregam valor as marcas. Aqui a questão é silenciada e quando se fala é na esfera da responsabilidade social, que é quase sempre voltada para fora da empresa.
Professor da Ulbra