As obras de salvamento emergencial da Casa de Ulhôa Cintra, também conhecida como Casa dos Ministérios, foram entregues oficialmente no fim de semana, em Caçapava do Sul. O prédio histórico serviu, entre outras funções, como local de trabalho para os ministros da República Rio-Grandense, quando o município foi a segunda capital farroupilha. As intervenções no local, que também incluíram ações de educação patrimonial e a elaboração de um projeto de restauração total da edificação, receberam investimento de R$ 601 mil.
Os trabalhos foram realizados com o objetivo de preservar os materiais remanescentes e impedir a degradação das alvenarias da edificação, devido ao desabamento completo do telhado, em 2023. Nessa primeira etapa de preservação da casa também foi desenvolvido um projeto de restauração total da edificação, o qual abrange, além do prédio principal, as demais construções existentes no terreno, propõe a adequação desse conjunto de estruturas - de uso residencial para cultural - e servirá de subsídio técnico para a definição das próximas etapas da obra.
Além disso, as ações foram complementadas com oficinas de capacitação de mão de obra para restauração de antigas técnicas construtivas e com atividades de educação patrimonial focadas na comunidade do entorno. Esse viés educativo considerou o contexto de preservação histórico-cultural-paisagístico do município, reconhecido oficialmente como Capital Gaúcha da Geodiversidade e com certificação de geoparque obtida junto à Unesco.
Localizado na rua Sete de Setembro, o prédio foi construído entre 1800 e 1840. Quando Caçapava do Sul se tornou a segunda capital da República Rio-Grandense, no fim dos anos 1830, a edificação abrigou os ministérios farroupilhas, o que lhe rendeu o nome pelo qual é conhecida até hoje (além disso, à época, era chamada pelos revoltosos de "Casa de Reunião"). A tipografia do jornal oficial republicano, "O Povo", também funcionou no local, onde foram impressos 116 das 160 edições da publicação.
Depois dos combates revolucionários, o imóvel pertenceu a José Pinheiro de Ulhôa Cintra, ex-ministro de diversas pastas da República Rio-Grandense que veio a residir no local com sua família. Mais tarde, a edificação foi utilizada para a exibição de filmes e teve uma sucessão de proprietários, entre eles Percival Antunes, que a restaurou sem alterar suas linhas arquitetônicas originais. Tombada em 1994 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), a Casa foi locada pela administração municipal entre 2008 e 2012, quando a cobertura desabou, levando à interdição do prédio.