De Bagé
Nos primeiros meses à frente da presidência da Câmara Municipal de Bagé, Andréa Gallina (PP) destaca a importância da independência entre os poderes Legislativo e Executivo, apesar das diferenças partidárias. Filiada ao Progressistas, partido de oposição ao prefeito Luiz Fernando Mainardi (PT), ela reforça que o foco deve estar em pautas que beneficiem a cidade, indo além de disputas ideológicas. "Somos de ideologias diferentes, mas Bagé tem questões muito maiores do que a direita e a esquerda", afirma.
Uma destas questões é a estiagem, que historicamente afeta o município e impacta tanto os produtores rurais quanto a população urbana. Segundo Andréa, a homologação do decreto de emergência pelo governo estadual
facilita a renegociação de dívidas e o acesso a crédito para os agricultores, aliviando as dificuldades do setor. Nesta entrevista ao
Jornal do Comércio, ela também menciona a expectativa em torno da finalização da
barragem de Arvorezinha, em obras há 17 anos.
Jornal do Comércio – Que balanço faz desses dois primeiros meses à frente da presidência da Câmara?
Andréa Gallina - Tem sido intenso, de bastante trabalho e de muitos desafios. Já que, para mim, é tudo novo, estou presidente agora e me elegi vereadora também de primeiro mandato, então estou, a cada dia, buscando mais conhecimento, porque venho da iniciativa privada, nunca tinha trabalhado no setor público.
JC – Como avalia a relação da Câmara, em sua gestão, com o Poder Executivo?
Andréa - Somos poderes independentes, Legislativo e Executivo. Mas acredito que estamos aqui pelo mesmo direcionamento, que é o bem da cidade e da população. Somos de ideologias diferentes, eu e o Executivo, mas a cidade tem pautas muito maiores do que a direita e a esquerda. Bagé é conhecido internacionalmente por sofrer com a estiagem, então a seca, infelizmente, faz parte do nosso cotidiano, e neste momento a gente está vivendo um racionamento, os produtores rurais sofrem muito com a estiagem.
JC – E como a Câmara está atuando neste momento específico, a respeito da questão da estiagem?
Andréa - Os produtores sofrem bastante, assim como a cidade também sofre, com a questão do racionamento. A barragem é uma questão antiga, entra governo e sai governo, e a população cria a expectativa que vai se resolver. O governo do ex-prefeito Divaldo (Lara, PRB) já fez bastante pela barragem e acredito que o prefeito Mainardi, com certeza, está dando continuidade, e sei que ele já apontou que o objetivo dele é finalizar a obra da barragem. Então, seguimos confiantes que vai dar certo. Quanto à questão dos produtores e da estiagem, foi feito o decreto de emergência. Já havia uma perda em torno de 40% da produção. Foi bastante importante o governador ter homologado (o decreto de emergência), porque isso facilita na renegociação, na tomada de novos créditos, e também uma das pautas que temos agora é a securitização. Já houve securitização lá no ano 2000. Quem fez, na época, teve um período de 25 anos de renegociação para pagar suas dívidas. E agora o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) é autor de um PL que sobre securitização. Se for aprovado, com certeza será um alívio para os produtores rurais.
JC – Essas questões podem auxiliar tanto grandes produtores como a agricultura familiar a contribuírem para o desenvolvimento econômico da região?
Andréa - Sim, porque, analisando, mesmo que o produtor venda fora de Bagé, acaba gastando na cidade, no mercado, na loja de roupas, na farmácia, na revenda de carro... quando acaba a colheita, o produtor às vezes quer trocar de carro, quer comprar um terreno e a cidade acaba recebendo esse impacto. É uma engrenagem e, para essa engrenagem girar, todos os setores devem funcionar. Muitas vezes, o comércio, se a loja não vende, acaba demitindo funcionários, o que também gera impacto na cidade.
JC – Que anúncios a gestão da Câmara tem para os próximos meses?
Andréa – Estamos com um edital aberto para a contratação de um intérprete de Libras, estamos com esse edital aberto por um ano. Quem tiver interesse, pode entrar no site da Câmara e se inscrever. Tem ali o que é necessário para estar apto a participar, porque estamos trabalhando a questão da acessibilidade que devemos ter também na Casa. Além disso, a Câmara mudou o horário das sessões plenárias. Não é mais às 10h, e sim às 8h30min, nas segundas e quintas-feiras. Deixo um um convite para toda a comunidade, que venha, que prestigie, que nos procure aqui na Câmara de Vereadores, até porque a Câmara é a Casa do Povo, e nós só estamos aqui porque as pessoas confiaram em nós e nos colocaram aqui onde estamos.
Perfil
Natural de Alegrete (RS), Andrea Vanice Rodrigues Gallina (PP) nasceu em 9 de fevereiro de 1981. É formada em administração de empresas e atua profissionalmente como produtora rural e empresária. Está em seu primeiro mandato como vereadora em Bagé, tendo sido eleita em 2024 com 889 votos, e foi eleita presidente da Câmara de Vereadores no início da Legislatura, em janeiro de 2025.