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Publicada em 31 de Março de 2025 às 12:15

Bagé tem questões maiores que a direita e a esquerda, diz presidente da Câmara

Presidente da Câmara Municipal de Bagé, Andréa Gallina está em seu primeiro mandato como vereadora

Presidente da Câmara Municipal de Bagé, Andréa Gallina está em seu primeiro mandato como vereadora

Bernardo da Cruz/Divulgação/JC
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Jessica Pacheco
Jessica Pacheco Repórter
De Bagé
Nos primeiros meses à frente da presidência da Câmara Municipal de Bagé, Andréa Gallina (PP) destaca a importância da independência entre os poderes Legislativo e Executivo, apesar das diferenças partidárias. Filiada ao Progressistas, partido de oposição ao prefeito Luiz Fernando Mainardi (PT), ela reforça que o foco deve estar em pautas que beneficiem a cidade, indo além de disputas ideológicas. "Somos de ideologias diferentes, mas Bagé tem questões muito maiores do que a direita e a esquerda", afirma.
Uma destas questões é a estiagem, que historicamente afeta o município e impacta tanto os produtores rurais quanto a população urbana. Segundo Andréa, a homologação do decreto de emergência pelo governo estadual facilita a renegociação de dívidas e o acesso a crédito para os agricultores, aliviando as dificuldades do setor. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, ela também menciona a expectativa em torno da finalização da barragem de Arvorezinha, em obras há 17 anos.
 
Jornal do Comércio – Que balanço faz desses dois primeiros meses à frente da presidência da Câmara?
Andréa Gallina - Tem sido intenso, de bastante trabalho e de muitos desafios. Já que, para mim, é tudo novo, estou presidente agora e me elegi vereadora também de primeiro mandato, então estou, a cada dia, buscando mais conhecimento, porque venho da iniciativa privada, nunca tinha trabalhado no setor público.
JC – Como avalia a relação da Câmara, em sua gestão, com o Poder Executivo?
Andréa - Somos poderes independentes, Legislativo e Executivo. Mas acredito que estamos aqui pelo mesmo direcionamento, que é o bem da cidade e da população. Somos de ideologias diferentes, eu e o Executivo, mas a cidade tem pautas muito maiores do que a direita e a esquerda. Bagé é conhecido internacionalmente por sofrer com a estiagem, então a seca, infelizmente, faz parte do nosso cotidiano, e neste momento a gente está vivendo um racionamento, os produtores rurais sofrem muito com a estiagem.
JC – E como a Câmara está atuando neste momento específico, a respeito da questão da estiagem?
Andréa - Os produtores sofrem bastante, assim como a cidade também sofre, com a questão do racionamento. A barragem é uma questão antiga, entra governo e sai governo, e a população cria a expectativa que vai se resolver. O governo do ex-prefeito Divaldo (Lara, PRB) já fez bastante pela barragem e acredito que o prefeito Mainardi, com certeza, está dando continuidade, e sei que ele já apontou que o objetivo dele é finalizar a obra da barragem. Então, seguimos confiantes que vai dar certo. Quanto à questão dos produtores e da estiagem, foi feito o decreto de emergência. Já havia uma perda em torno de 40% da produção. Foi bastante importante o governador ter homologado (o decreto de emergência), porque isso facilita na renegociação, na tomada de novos créditos, e também uma das pautas que temos agora é a securitização. Já houve securitização lá no ano 2000. Quem fez, na época, teve um período de 25 anos de renegociação para pagar suas dívidas. E agora o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) é autor de um PL que sobre securitização. Se for aprovado, com certeza será um alívio para os produtores rurais.
JC – Essas questões podem auxiliar tanto grandes produtores como a agricultura familiar a contribuírem para o desenvolvimento econômico da região?
Andréa - Sim, porque, analisando, mesmo que o produtor venda fora de Bagé, acaba gastando na cidade, no mercado, na loja de roupas, na farmácia, na revenda de carro... quando acaba a colheita, o produtor às vezes quer trocar de carro, quer comprar um terreno e a cidade acaba recebendo esse impacto. É uma engrenagem e, para essa engrenagem girar, todos os setores devem funcionar. Muitas vezes, o comércio, se a loja não vende, acaba demitindo funcionários, o que também gera impacto na cidade.
JC – Que anúncios a gestão da Câmara tem para os próximos meses?
Andréa – Estamos com um edital aberto para a contratação de um intérprete de Libras, estamos com esse edital aberto por um ano. Quem tiver interesse, pode entrar no site da Câmara e se inscrever. Tem ali o que é necessário para estar apto a participar, porque estamos trabalhando a questão da acessibilidade que devemos ter também na Casa. Além disso, a Câmara mudou o horário das sessões plenárias. Não é mais às 10h, e sim às 8h30min, nas segundas e quintas-feiras. Deixo um um convite para toda a comunidade, que venha, que prestigie, que nos procure aqui na Câmara de Vereadores, até porque a Câmara é a Casa do Povo, e nós só estamos aqui porque as pessoas confiaram em nós e nos colocaram aqui onde estamos.

Perfil

Natural de Alegrete (RS), Andrea Vanice Rodrigues Gallina (PP) nasceu em 9 de fevereiro de 1981. É formada em administração de empresas e atua profissionalmente como produtora rural e empresária. Está em seu primeiro mandato como vereadora em Bagé, tendo sido eleita em 2024 com 889 votos, e foi eleita presidente da Câmara de Vereadores no início da Legislatura, em janeiro de 2025.

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