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Publicada em 01 de Abril de 2025 às 11:01

Israel bombardeia sul de Beirute e mata 4, incluindo membro do Hezbollah

Trata-se do segundo bombardeio de Tel Aviv contra a capital do Líbano em menos de uma semana

Trata-se do segundo bombardeio de Tel Aviv contra a capital do Líbano em menos de uma semana

IBRAHIM AMRO/AFP/JC
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Agências
As forças de Israel mataram quatro pessoas, incluindo uma mulher, e feriram sete durante um bombardeio nos subúrbios do sul de Beirute nesta terça-feira (1º), afirmou o Ministério da Saúde do Líbano. O ataque, que testa o frágil cessar-fogo de quatro meses com o Hezbollah, tinha como alvo um membro da milícia extremista, que foi morto na ofensiva.
As forças de Israel mataram quatro pessoas, incluindo uma mulher, e feriram sete durante um bombardeio nos subúrbios do sul de Beirute nesta terça-feira (1º), afirmou o Ministério da Saúde do Líbano. O ataque, que testa o frágil cessar-fogo de quatro meses com o Hezbollah, tinha como alvo um membro da milícia extremista, que foi morto na ofensiva.
Trata-se do segundo bombardeio de Tel Aviv contra a capital do Líbano em menos de uma semana. O ataque ocorreu sem aviso prévio por volta das 3h30 -noite de segunda (31) no Brasil- durante a festa do Eid al-Fitr, que marca o fim do mês de jejum do Ramadã, celebrado por muçulmanos em todo o mundo.
O Exército israelense afirmou que, além de integrar o Hezbollah, Hassan Bdeir participava da Força Quds do Irã, um ramo da Guarda Revolucionária de Teerã que opera principalmente em outros países. Ainda de acordo com Israel, ele ajudou o Hamas, grupo aliado na Palestina e em guerra com o Estado judeu na Faixa de Gaza, a planejar um "ataque terrorista significativo e iminente contra civis israelenses".
Um funcionário do setor de segurança do Líbano confirmou à Reuters que o alvo era uma figura do Hezbollah cujas responsabilidades incluíam a questão palestina. Segundo um membro da milícia, Bdair estava em sua casa com sua família no momento do ataque, afirmou a AFP.
Um fotógrafo da agência de notícias francesa que esteve no local afirmou que os dois últimos andares de um edifício foram destruídos. Segundo um jornalista da Reuters, havia ambulâncias no local enquanto famílias fugiam para outras partes de Beirute.
Os ataques ocorrem em um momento de escalada da tensão no Oriente Médio. Em Gaza, Israel reiniciou bombardeios há duas semanas após uma trégua de dois meses; no Iêmen, os Estados Unidos têm atingido os houthis em uma tentativa de interromper os ataques do movimento alinhado com o Irã contra embarcações no Mar Vermelho.
No Líbano, os bombardeios recomeçaram no final de março, quando Israel respondeu a foguetes vindos do sul do país -o Hezbollah negou qualquer papel nos lançamentos. As ofensivas contra a capital, Beirute, foram retomadas dias depois, na última sexta-feira (28).
Diferentemente da ação desta terça, porém, o ataque de terça teve aviso prévio. Na ocasião, o Exército israelense anunciou qual prédio pretendia atingir e ordenou que os moradores deixassem a área.
Não se sabe se os bombardeios têm o potencial de reativar o conflito entre Hezbollah e Tel Aviv, desencadeado após a milícia abrir fogo contra Israel em apoio ao Hamas, no final de 2023.
A guerra desalojou mais de um milhão de pessoas e matou pelo menos 3.768 pessoas no Líbano, de acordo com um balanço de novembro do Ministério da Saúde de Beirute, que não distingue entre civis e combatentes. Dezenas mais foram mortas desde então, mesmo com o cessar-fogo.
Ataques do Hezbollah, por sua vez, deslocaram cerca de 60 mil habitantes do norte de Israel, metade dos quais ainda não retornaram às suas casas, e mataram 45 civis na mesma região e nas Colinas de Golã, ocupadas pelo Estado judeu. Além disso, pelo menos 73 soldados foram mortos no norte de Israel, nas Colinas de Golã e no sul do Líbano, segundo autoridades israelenses.
Ibrahim Moussawi, um parlamentar do Hezbollah disse que o ataque desta terça representa "uma agressão grave e severa que escalou a situação para um nível completamente diferente". Em uma declaração televisionada após visitar o prédio atingido, ele pediu ao Líbano que "ative o mais alto nível de diplomacia para encontrar soluções".
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, também condenou o bombardeio e pediu apoio aos seus aliados para defender "a plena soberania" do país. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, por sua vez, disse que o ataque foi uma violação flagrante de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a qual o cessar-fogo foi baseado.
Ambos os lados acusam o outro de não implementar totalmente os termos da trégua.
O acordo determina que apenas o Exército libanês e as forças de paz da ONU devem estar no sul do Líbano, enquanto o Hezbollah deve se retirar para o norte do rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira com Israel, e desmantelar sua infraestrutura militar no sul. No entanto, Israel, que acusa a milícia de ainda ter infraestrutura no sul do Líbano, manteve tropas em cinco posições consideradas estratégicas na região.
O Ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse que o homem morto representava "uma ameaça real e imediata". "Esperamos que o Líbano tome medidas para erradicar as organizações terroristas que atuam dentro de suas fronteiras contra Israel", afirmou.
Os EUA apoiam os novos ataques. "As hostilidades foram retomadas porque terroristas lançaram foguetes em Israel a partir do Líbano", disse à Reuters um porta-voz do Departamento de Estado em um email.

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