A junta militar de Mianmar anunciou ontem que o número de mortos no terremoto de magnitude 7,7 que devastou o país chegou a 2.056. O país do Sudeste Asiático está sob controle militar desde o golpe de Estado de 2021. Um porta-voz do regime afirmou que 3.900 ficaram feridos, e 270 estão desaparecidos após o tremor na sexta (28), que também atingiu a Tailândia. O regime declarou um período de luto de uma semana a partir desta segunda.
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Já o opositor Governo de Unidade Nacional, que inclui remanescentes do governo deposto em 2021, fala em 2.418 mortos. A Reuters não pôde confirmar esses números. O acesso da mídia foi restrito no país desde que a junta assumiu o poder. O chefe do regime, general Min Aung Hlaing, alertou, porém, que o número de vítimas poderia aumentar.
O abalo deixou um cenário de devastação na região - um prédio em construção colapsou na capital tailandesa, Bancoc, e uma ponte de mais de 90 anos desabou na região mianmarense de Mandalay, no centro da nação.
Sobreviventes foram retirados dos escombros em Mianmar, e sinais de vida foram detectados nas ruínas de um arranha-céu em Bancoc nesta segunda, à medida que os esforços se intensificavam para encontrar pessoas presas.
Os socorristas libertaram quatro pessoas, incluindo uma grávida, e uma menina, de prédios desmoronados em Mandalay, a cidade mianmarense mais próxima do epicentro do terremoto, disse a agência chinesa de notícias Xinhua.
A guerra civil em Mianmar, porém, não parou, o que complica os esforços para alcançar os feridos e desabrigados. A região mais atingida pelo terremoto não é controlada integralmente pela junta e vive sob disputa de facções rebeldes. Um grupo rebelde disse que o Exército de Mianmar ainda estava realizando ataques aéreos em aldeias após o terremoto. O ministro das Relações Exteriores de Singapura pediu um cessar-fogo imediato para ajudar nos esforços de socorro.
Na capital tailandesa, socorristas retiraram mais um corpo dos escombros de um arranha-céu em construção que desabou no terremoto, elevando o número de mortos do prédio para 12. Com isso, o total de mortos na Tailândia subiu para 19. Ainda há 75 desaparecidos no local da construção.
A China foi um dos primeiros a contribuir ao enviar US$ 13,9 milhões (cerca de R$ 80 milhões) em ajuda de emergência, incluindo tendas e kits de primeiros socorros. A Índia enviou equipe de busca e resgate e aeronaves com materiais essenciais. Já os EUA prometeram US$ 2 milhões (R$ 11,5 milhões) em auxílio humanitário, enquanto o Vietnã enviou mais de cem socorristas e US$ 300 mil (R$ 1,7 milhão) em assistência.
Outros países, como Coreia do Sul, Tailândia, Rússia, Japão, Singapura, Malásia, Indonésia, Nova Zelândia e Filipinas, também contribuíram com ajuda financeira, equipes de resgate, materiais médicos e apoio logístico.
Agências