Com o objetivo de valorizar a importância da língua Tupi como patrimônio cultural imaterial, o projeto Proseando em Tupi irá contemplar dez escolas públicas de Viamão com uma ferramenta de alfabetização voltada a estudantes das séries iniciais do Ensino Fundamental. O lançamento oficial do projeto ocorre nesta quinta-feira (3) e contará com entrega gratuita do material lúdico e pedagógico, durante atividade formativa destinada a professores e orientadores das instituições, que acontece, das 18h às 20h, no Colégio Estadual Cecília Meireles (rua Alcides Maia, 390 - Centro de Viamão). A Iniciativa conta com recursos da Lei Complementar nº 195/2022 do Ministério da Cultura, repassados pela Sedac/RS, via Lei Paulo Gustavo Pró-Cultura RS.
Formado por um jogo de tabuleiro, com baralhos de cartas que apresentam palavras dos povos originários do Brasil associadas a imagens representativas (de animais, plantas, alimentos, entre outros), a ferramenta foi elaborada para ser aplicada em salas de aula do 1º e 2º ano (para grupos com quatro crianças, em média). A proposta tem como objetivo viabilizar que os pequenos se conscientizem, resgatem e reconheçam a procedência de palavras indígenas, a partir do desenvolvimento de habilidades de expressão corporal e de fluência leitora. Para isso, o material utiliza como vocabulário as palavras incorporadas do Tupi à Língua Portuguesa Brasileira, de forma contextualizada com a flora e a fauna presentes no território nacional.
Todas as dez instituições contempladas são escolas da rede de ensino público estadual, localizadas na cidade de Viamão (Açorianos, Airton Sena, Alcebíades Azeredo dos Santos, Canquirine, Cecília Meireles, Cecília Flores, Farroupilha, Minuano, Nísia Floresta e Rui Barbosa). “Inicialmente, nossa proposta era a de entregar os tabuleiros e realizar a formação de professores da rede municipal; no entanto, não houve interesse por parte da prefeitura da cidade e – com a autorização da Sedac – a iniciativa foi remanejada para alunos de escolas mantidas pelo Estado”, explica o produtor executivo e assessor artístico-pedagógico do projeto, Giancarlo Carlomagno.
A atividade formativa desta quinta-feira será considerada como horas trabalhadas aos participantes das escolas e será ministrada pela equipe integrante do projeto Proseando em Tupi, (contando com um intérprete de Libras) apresentando propostas didáticas para as áreas de Educação Artística, Alfabetização e Ciências da Natureza. Durante a formação sobre o uso do jogo em sala de aula e suas potencialidades no ensino interdisciplinar para as práticas de alfabetização, serão distribuídos – ao todo – 45 exemplares do material (somando uma média de quatro a cinco kits por escola). Para facilitar o treinamento, os professores e orientadores já receberam acesso a um e-book em PDF (mantido na nuvem do projeto) para que pudessem estudar a ferramenta e entender, antecipadamente, como o jogo funciona.
Embasado em conceitos teóricos da Pedagogia, com a orientação da professora Jaqueline Gomes Nunes, o projeto Proseando em Tupi é uma realização da empresa Diana Manenti Produção e Arte. Idealizada pela pedagoga e psicopedagoga Brenda Rosana Goulart, a iniciativa contou com distintas fases de execução: em agosto de 2024, foi realizado um playtest do protótipo do jogo com três professores voluntários, todos profissionais da Educação Básica; seguido por ajustes sugeridos pelos participantes e, após, a inclusão de recursos de acessibilidade (previstos originalmente pelo cronograma do trabalho). Realizada pelo Coletivo de Acessibilidade Criativa, esta última etapa incluiu a produção de dois baralhos com texturas distintas (para cada jogo), que podem ser diferenciados por crianças com deficiência visual, além de áudio disponibilizado em nuvem, para que os professores possam aplicar recursos de audiodescrição, quando necessário.
Com distintas propostas didáticas (organizadas conforme gradação de dificuldade) o material engloba, ainda, diferentes níveis de escrita e leitura. Além dos kits com os jogos de tabuleiro, as escolas também receberão manuais para professores e mediadores, a fim de que seja possível auxiliar no entendimento da ferramenta pelas crianças. “Durante o playtest realizado em agosto do ano passado, constatamos que não há impedimento de que o material seja utilizado por uma possível falta de conhecimento prévio”, pondera Brenda. “Também o vocabulário está adequado para a faixa etária destinada”, avalia a idealizadora. Segundo ela, o jogo é “divertido e rápido”, com coleta de itens ao longo do percurso. “Este material é uma potência para a aprendizagem de conceitos por parte do estudante, já que promove interação”, emenda.