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Publicada em 01 de Abril de 2025 às 20:05

Atrasos em obras geram reclamações em Porto Alegre

No Viaduto da Borges, pedestres precisam caminhar ao lados dos carros para desviar da reforma

No Viaduto da Borges, pedestres precisam caminhar ao lados dos carros para desviar da reforma

EVANDRO OLIVEIRA/JC
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
A execução de obras em diferentes pontos de Porto Alegre tem gerado transtornos e reclamações da população. Atrasos na conclusão dos projetos e falhas na execução dos serviços resultam em queixas de moradores, comerciantes e motoristas. No Centro Histórico, a revitalização do Quadrilátero Central já exige correções antes mesmo da entrega. A interdição da ponte da Ramiro Barcelos complica o trânsito na Avenida Ipiranga, enquanto a restauração do Viaduto da Borges de Medeiros enfrenta desafios técnicos e sucessivos adiamentos.
A execução de obras em diferentes pontos de Porto Alegre tem gerado transtornos e reclamações da população. Atrasos na conclusão dos projetos e falhas na execução dos serviços resultam em queixas de moradores, comerciantes e motoristas. No Centro Histórico, a revitalização do Quadrilátero Central já exige correções antes mesmo da entrega. A interdição da ponte da Ramiro Barcelos complica o trânsito na Avenida Ipiranga, enquanto a restauração do Viaduto da Borges de Medeiros enfrenta desafios técnicos e sucessivos adiamentos.
No Quadrilátero Central, o advogado André Oliveira, que trabalha na rua Doutor Flores, critica o fato de serviços já finalizados precisarem ser refeitos. "Parece que deram a obra por encerrada, mas depois tiveram que reabrir trechos para passar cabos e tubulações. Agora, vários pontos estão cheios de buracos", relata. Segundo ele, a recolocação dos paralelepípedos também gerou problemas, deixando o piso irregular.
A balconista Lauren Silva, que trabalha na Rua dos Andradas, compartilha a insatisfação. Segundo ela, as obras, que deveriam melhorar a circulação de pedestres, têm causado mais prejuízos do que benefícios. "É um vai e vem. Nunca sabemos quando ficará realmente pronto já que são tantos atrasos, mas a incomodação é diária. Sem contar que já vi várias pessoas tropeçando nos buracos", afirma.
Na ponte da Ramiro Barcelos, a demora na execução das melhorias - que era para terminar em fevereiro, mas ficarão para outubro - afeta diretamente a rotina de quem precisa circular pela região. A estudante Sophia Goulart, que mora na rua Vicente da Fontoura e estuda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufgrs), relata que o trajeto de ônibus até a faculdade, que deveria levar 10 minutos, frequentemente passa de 20. "Está mais fácil ir a pé do que de ônibus. A obra está parando o trânsito há meses e causa um desvio enorme para quem atravessava a ponte", critica.
A restauração do Viaduto Otávio Rocha é outro exemplo de atraso. Inicialmente prevista para maio de 2024, a conclusão foi adiada para dezembro de 2025. No local, pedestres precisam circular em um corredor improvisado ao longo da via, ao lado dos carros.
Ainda, desde o início de 2024, a prefeitura conduz a demolição do Edifício Galeria XV de Novembro, o popular "Esqueletão". No entanto, a obra foi embargada pelo Ministério do Trabalho e Emprego no ano passado e só foi retomada em 28 de janeiro. Comerciantes próximos, além de se incomodarem com o barulho, temem os impactos da fase final do serviço: a implosão dos primeiros nove andares do prédio, prevista para os próximos meses.
Além dessas obras, a cidade ainda lida com a falta de recuperação de pontos danificados pela enchente histórica de maio de 2024, como a ciclovia da avenida Ipiranga e a Passarela da Rodoviária. A primeira tem previsão de conclusão para este ano, enquanto a segunda sequer teve edital de licitação publicado.
O secretário de Obras e Infraestrutura de Porto Alegre, André Flores, vê com naturalidade os transtornos e atribui os atrasos a diferentes fatores, como a necessidade de mapear redes subterrâneas antigas, exigências para preservar prédios históricos e os impactos da enchente. "Algumas tubulações e fiações foram instaladas há décadas sem registro adequado. Quando abrimos uma obra, encontramos estruturas que precisam ser adaptadas, o que pode prolongar os prazos", explica.
No caso do Quadrilátero, ele afirma que a fase atual é de ajustes finais, incluindo a substituição de pisos danificados e correções em trechos com problemas na execução. O secretário também destaca que a prefeitura não paga por serviços refeitos, cobrando a empresa responsável pelas correções.
Sobre a ponte da Ramiro Barcelos, ele informa que o projeto precisou passou por ajustes para garantir a segurança da estrutura. A solução inicial previa apenas a recuperação das vigas, mas, com a nova avaliação, foi necessário refazê-las. "Criamos uma estrutura paralela para suportar o peso da ponte, o que aumentou os custos da obra", afirma o secretário.
 

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