A execução de obras em diferentes pontos de Porto Alegre tem gerado transtornos e reclamações da população. Atrasos na conclusão dos projetos e falhas na execução dos serviços resultam em queixas de moradores, comerciantes e motoristas. No Centro Histórico, a revitalização do Quadrilátero Central já exige correções antes mesmo da entrega. A interdição da ponte da Ramiro Barcelos complica o trânsito na Avenida Ipiranga, enquanto a restauração do Viaduto da Borges de Medeiros enfrenta desafios técnicos e sucessivos adiamentos.
No Quadrilátero Central, o advogado André Oliveira, que trabalha na rua Doutor Flores, critica o fato de serviços já finalizados precisarem ser refeitos. "Parece que deram a obra por encerrada, mas depois tiveram que reabrir trechos para passar cabos e tubulações. Agora, vários pontos estão cheios de buracos", relata. Segundo ele, a recolocação dos paralelepípedos também gerou problemas, deixando o piso irregular.
A balconista Lauren Silva, que trabalha na Rua dos Andradas, compartilha a insatisfação. Segundo ela, as obras, que deveriam melhorar a circulação de pedestres, têm causado mais prejuízos do que benefícios. "É um vai e vem. Nunca sabemos quando ficará realmente pronto já que são tantos atrasos, mas a incomodação é diária. Sem contar que já vi várias pessoas tropeçando nos buracos", afirma.
Na ponte da Ramiro Barcelos, a demora na execução das melhorias - que era para terminar em fevereiro, mas ficarão para outubro - afeta diretamente a rotina de quem precisa circular pela região. A estudante Sophia Goulart, que mora na rua Vicente da Fontoura e estuda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufgrs), relata que o trajeto de ônibus até a faculdade, que deveria levar 10 minutos, frequentemente passa de 20. "Está mais fácil ir a pé do que de ônibus. A obra está parando o trânsito há meses e causa um desvio enorme para quem atravessava a ponte", critica.
A restauração do Viaduto Otávio Rocha é outro exemplo de atraso. Inicialmente prevista para maio de 2024, a conclusão foi adiada para dezembro de 2025. No local, pedestres precisam circular em um corredor improvisado ao longo da via, ao lado dos carros.
Ainda, desde o início de 2024, a prefeitura conduz a demolição do Edifício Galeria XV de Novembro, o popular "Esqueletão". No entanto, a obra foi embargada pelo Ministério do Trabalho e Emprego no ano passado e só foi retomada em 28 de janeiro. Comerciantes próximos, além de se incomodarem com o barulho, temem os impactos da fase final do serviço: a implosão dos primeiros nove andares do prédio, prevista para os próximos meses.
Além dessas obras, a cidade ainda lida com a falta de recuperação de pontos danificados pela enchente histórica de maio de 2024, como a ciclovia da avenida Ipiranga e a Passarela da Rodoviária. A primeira tem previsão de conclusão para este ano, enquanto a segunda sequer teve edital de licitação publicado.
O secretário de Obras e Infraestrutura de Porto Alegre, André Flores, vê com naturalidade os transtornos e atribui os atrasos a diferentes fatores, como a necessidade de mapear redes subterrâneas antigas, exigências para preservar prédios históricos e os impactos da enchente. "Algumas tubulações e fiações foram instaladas há décadas sem registro adequado. Quando abrimos uma obra, encontramos estruturas que precisam ser adaptadas, o que pode prolongar os prazos", explica.
No caso do Quadrilátero, ele afirma que a fase atual é de ajustes finais, incluindo a substituição de pisos danificados e correções em trechos com problemas na execução. O secretário também destaca que a prefeitura não paga por serviços refeitos, cobrando a empresa responsável pelas correções.
Sobre a ponte da Ramiro Barcelos, ele informa que o projeto precisou passou por ajustes para garantir a segurança da estrutura. A solução inicial previa apenas a recuperação das vigas, mas, com a nova avaliação, foi necessário refazê-las. "Criamos uma estrutura paralela para suportar o peso da ponte, o que aumentou os custos da obra", afirma o secretário.