Porto Alegre, sex, 04/04/25

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Publicada em 31 de Março de 2025 às 13:22

Estudo aponta índices preocupantes de mortalidade em pacientes pós-cirúrgicos na AL

Professora do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da UFRGS, Luciana Cadore Stefani

Professora do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da UFRGS, Luciana Cadore Stefani

HCPA/DIVULGAÇÃO/JC
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Agências
Uma pesquisa sobre desfechos de pacientes após cirurgias, baseada nos registros de 22 mil pacientes de 17 países da América Latina, traz dados alarmantes: cerca de 15% dos pacientes desenvolvem alguma complicação no pós-operatório e, dentro desse grupo, um em cada sete morre antes mesmo de receber alta hospitalar. O estudo faz parte de uma iniciativa global e teve como uma das pesquisadoras responsáveis na América Latina a professora do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Luciana Cadore Stefani.
As infecções hospitalares estão entre as complicações mais comuns, reforçando a necessidade de medidas de controle mais eficazes dentro das instituições de saúde. Outro ponto crítico identificado foi a falta de critérios consistentes para definir quando um paciente deve ser encaminhado para Terapia Intensiva. Os dados mostram que um em cada três pacientes que foram a óbito nunca chegou a receber cuidados intensivos, evidenciando a necessidade de maior atenção e treinamento das equipes para identificar riscos precocemente.

Investir na melhoria do cuidado pós-operatório

No total, 477 pacientes faleceram no pós-operatório, o que se observa é que a capacidade de resgatar pacientes com complicações pós-operatórias ainda é muito baixa. "Embora a taxa de complicações cirúrgicas na América Latina seja semelhante à de outros países, a proporção de pacientes que morrem após uma complicação é significativamente maior", explica a professora Luciana Stefani, que também lidera a diretoria de Ensino do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
"Falamos muito sobre reduzir as filas de espera para cirurgias, mas também precisamos investir na melhoria do cuidado pós-operatório, garantindo a detecção e o tratamento precoce de problemas como infecções e complicações cardiovasculares. Isso pode reduzir de forma significativa a morbimortalidade associada às cirurgias", destaca.
Stefani acrescenta que, diante da crescente demanda por procedimentos cirúrgicos e da limitação de recursos, "é essencial repensar os modelos de gestão e distribuição de verbas em países tão complexos como o Brasil".

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