O governo do Rio Grande do Sul anunciou que irá dobrar o aporte divulgado na semana passada para suprir as demandas do sistema de saúde de Porto Alegre, que enfrenta superlotação das emergências. Ao todo, serão destinados R$ 16 milhões, por meio do programa Assistir. As informações foram confirmadas nesta segunda-feira (24), depois de uma reunião no Centro Administrativo da Capital.
Conforme o governador Eduardo Leite, os recursos serão destinados para a conclusão das obras nos Pronto Atendimentos localizados nos bairros Lomba do Pinheiro e Bom Jesus - que permitem a habilitação desses locais como Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) junto ao Ministério da Saúde -, e duas novas unidades, uma na Zona Norte e outra na Cruzeiro. Com isso, estima-se a captação de cerca de R$ 1,5 milhão mensais, fortalecendo o financiamento da saúde na capital. Atualmente, apenas a UPA Moacyr Scliar, na Zona Norte, é reconhecida pelo Ministério da Saúde.
“Entendemos que precisamos expandir isso. O próprio município tem o reconhecimento, para chegar, quem sabe, até seis unidades”, complementa Leite. O governador ainda afirmou que “o Estado tem recursos para, pelo menos, outras quatro unidades para ampliar o atendimento”. Os prazos, no entanto, ainda não foram especificados, mas o cronograma será elaborado pelos representantes.
O Estado também propôs a habilitação de 15 leitos de UTI do Hospital de Pronto Socorro (HPS). A medida permitirá ampliar o repasse estadual ao município de R$ 3,6 milhões para R$ 9,9 milhões anuais, destinados ao atendimento de pacientes vítimas de queimaduras.
Tanto Leite quanto o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, reforçaram que irão demandar, em Brasília, a ampliação do teto da média e alta complexidade. Leite também solicitou ao prefeito as perdas na arrecadação, que impactam na saúde, para que “o Estado consiga analisar a possibilidade de aportar recursos excepcionais para suportar a queda de arrecadação e garantir a manutenção de serviços”.
Ainda conforme o prefeito, as dificuldades da Região Metropolitana refletem em Porto Alegre. “Estamos no mesmo lado, que é o do cidadão que precisa do SUS. O governo federal também precisa estar nesse processo porque o SUS é tripartite”, diz Melo. De acordo com ele, as prioridades precisam ser escalonadas em conjunto, principalmente considerando que a Capital atende mais de 200 municípios. “Estamos defendendo uma câmara de compensação dos atendimentos e um consórcio metropolitano para aqueles municípios que socorrem Porto Alegre”.
Na tarde desta segunda-feira, a taxa de ocupação dos pronto atendimentos da Capital chegou a 164%, segundo o novo painel da prefeitura. “Atualizamos nosso painel que mostra, não apenas os leitos de emergência, mas todos os hospitais de Porto Alegre, com a capacidade e origem”, destaca o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter. Devido ao cenário, o prefeito da Capital garantiu que
não haverá suspensão dos serviços, mas podem ocorrer restrições.