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Publicada em 08 de Abril de 2024 às 18:00

Prefeitura e Multiplan divergem sobre a realocação do Ecoponto Diário de Notícias

Definição do novo espaço está suspensa há quase um ano

Definição do novo espaço está suspensa há quase um ano

Lucas Mello/DMLU/JC
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar Repórter
Há quase três anos, desde julho de 2021, os residentes da Zona Sul da Capital aguardam pela reposição da Unidade de Destino Certo (UDC) Diário de Notícias, removida à época para dar lugar ao empreendimento de luxo Golden Lake, que está em construção pela empresa Multiplan. Enquanto moradores locais lamentam a perda do espaço, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) e a Multiplan divergem a respeito de quem é o responsável por essa realocação.
Há quase três anos, desde julho de 2021, os residentes da Zona Sul da Capital aguardam pela reposição da Unidade de Destino Certo (UDC) Diário de Notícias, removida à época para dar lugar ao empreendimento de luxo Golden Lake, que está em construção pela empresa Multiplan. Enquanto moradores locais lamentam a perda do espaço, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) e a Multiplan divergem a respeito de quem é o responsável por essa realocação.
Durante o processo de licenciamento do projeto residencial, a prefeitura exigiu que a Multiplan realocasse a UDC para um novo local nas proximidades. Inicialmente, ela seria instalada na avenida Wenceslau Escobar, 1.980, no bairro Tristeza. Porém, em maio do ano passado, a administração municipal cancelou as obras e, desde aquele momento, não houve novas movimentações.
De acordo com o diretor-geral do DMLU, Paulo Marques dos Reis, ficou definido que a Multiplan é quem deveria encontrar alguma área na mesma região, que recompensasse a retirada do Ecoponto original. “Eles são os responsáveis por encontrar uma área, adquiri-la e nos entregar o equipamento. O local deve ser escolhido por eles. Nós não estamos tratando desse assunto”, afirma.
O Jornal do Comércio teve acesso a um aditivo do contrato do Termo de Conversão em Área Pública (TCAP), assinado pela prefeitura de Porto Alegre e pela Multiplan, em janeiro deste ano. Nele, consta que “a implementação definitiva da UDC ainda depende de definições internas da compromitente (prefeitura), que recomendam a prorrogação do prazo de entrega da contrapartida por parte do compromissário (Multiplan)”.
Para o diretor de desenvolvimento imobiliário da Multiplan, Bruno Vanuzzi, “é mais do que claro que a responsabilidade pela escolha do local é do Executivo”. Segundo ele, após o fim das obras na Wenceslau Escobar, a empresa teve que equipar a capatazia do DMLU, localizada na Avenida Niterói, para garantir o atendimento à população sem atrasar as obras do empreendimento. Por hora, o novo local, a cerca de 6km de distância do original, é quem recebe os resíduos que tinham como destino o ecoponto.
"A obra da Wenceslau Escobar foi iniciada a partir de demanda da prefeitura, com projeto inteiramente licenciado. Porém, por solicitação dos moradores do prédio vizinho, eles optaram por suspender as obras para realizar outros estudos locacionais. Atualmente, aguardamos a definição da administração municipal a cerca de um novo local", finaliza Vanutti.
Os Ecopontos, distribuídos atualmente em sete pontos de Porto Alegre (Cruzeiro do Sul, Carvalho de Freitas, Bernardino Silveira de Amorim, Câncio Gomes, Fátima Pinto, Humaitá e Princesa Isabel), são locais destinados a atender, de forma gratuita, pequenos geradores (pessoas físicas e/ou jurídicas) de diversos resíduos que não podem ser descartados para recolhimento pelas coletas regulares - domiciliar e seletiva. Madeiras, móveis velhos, colchões, terra e entulhos são alguns exemplos de materiais que podem ser depositados.
Enquanto não há definição de um novo local para a UDC Diário de Notícias, aos antigos usuários resta a espera. Raquel Pereira, de 43 anos, moradora de um prédio nas proximidades do ecoponto desativado, expressa sua frustração pela demora, descrevendo-a como "lamentável" e "mais uma promessa não cumprida pela prefeitura". Como alguém que utilizava frequentemente a UDC, ela relata o intenso movimento no local, onde já descartou móveis velhos, restos de obras, eletrodomésticos estragados, entre outros. "Hoje, não temos nenhum lugar perto para isso e, nem ao menos temos previsão de quando voltaremos a ter", lamenta.

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