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Publicada em 01 de Abril de 2025 às 15:59

Vamos levar pequenas e médias empresas a Hannover 2026, diz Claudio Bier

Presidente da Fiergs, Claudio Bier quer desmistificar tecnologias e levar inovação ao RS

Presidente da Fiergs, Claudio Bier quer desmistificar tecnologias e levar inovação ao RS

Guilherme Kolling/Especial/JC
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Guilherme Kolling
Guilherme Kolling Editor-chefe
Guilherme Kolling, de HannoverEm seu primeiro ano de gestão à frente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), o empresário Claudio Bier está participando pela primeira vez da Feira de Hannover. Além de observar as novidades em inovação, sai do evento já com um desafio: ampliar a participação de indústrias gaúchas em 2026, quando o Brasil será o país parceiro da feira. Representando também a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e liderando a comitiva, Bier teve uma reunião com dirigentes da Deutsche Messe AG, empresa que organiza a Feira de Hannover, e deu início aos preparativos para o próximo ano. O industrial projetou que o Brasil participe com pelo menos 200 empresas. E que o Rio Grande do Sul tenha, mais uma vez, protagonismo, já que tradicionalmente leva a maior delegação. “Assim que chegarmos ao Brasil, vamos começar a tratar esse tema.” Nesta entrevista, concedida aos jornalistas gaúchos que estão cobrindo a feira, Bier ainda destacou que quer também a participação de pequenas indústrias, para desmistificar temas como Inteligência Artificial (IA) e levar inovação ao Estado.Jornal do Comércio – Quais as suas impressões nessa primeira participação na Feira de Hannover?Claudio Bier – Primeiro, fiquei muito impressionado com a (cerimônia de) abertura da feira (no domingo), onde se viu que a Europa toda está muito preocupada com as barreiras que os Estados Unidos estão impondo. Já tinham um problema sério com a Rússia, o gás foi cortado aqui. Acho que é uma janela de oportunidades para o Brasil e o Mercosul, fornecer componentes e fazer muitos negócios com a Alemanha e com a Europa.JC – Nesse contexto, o Brasil foi confirmado como país parceiro da Feira de Hannover em 2026. O que representa essa oportunidade para a indústria do País?Bier – Vocês tiveram a oportunidade de ver por toda a cidade (de Hannover) e por toda a feira bandeiras do Canadá (país parceiro neste ano), e foi prestigiadíssimo na abertura. O Canadá tem um estande maravilhoso, em toda a feira se vê oportunidades de negócios. Acho que essa oportunidade o Brasil tem que pegar com unhas e dentes. Falando com o presidente da feira, fui ousado em dizer que esse ano trouxemos 75 empresas do Brasil para cá – mais de 70% da delegação é gaúcha – e prometi que ano que vem vamos trazer 200 empresas. O foco da nossa administração é para pequenas e médias empresas, vamos trabalhar para que venham aqui se atualizar. O Brasil está muito atualizado, o que vemos aqui, muita coisa tem no Brasil. Mas também muita coisa se aprende numa feira como essa. Vamos trabalhar com CNI, Sebrae, a Fiergs e outras federações, principalmente de Santa Catarina e Paraná, para trazer um número de muito grandes empresas, para que o Brasil tenha um protagonismo (em 2026) que o Canadá está tendo nessa feira.JC – Para ser expositor, há um custo elevado. Será necessário ter subsídios. Outra possibilidade é vir para a Feira de Hannover como fez a delegação deste ano, veio visitar, participar de discussões, conhecer a feira. Como o senhor pensa em atrair as empresas para essa participação?Bier – Vamos ter as duas modalidades. Como o Brasil vai ser o país parceiro, certamente vamos ter um estande grande, em que se pode subsidiar bastante os expositores. E também através da Apex, CNI e a Fiergs participando, o Sebrae, trazer os pequenos empresários gaúchos como visitantes, para que venham aprender, ver o que o mundo tem de novidade. A Inteligência Artificial que vemos aqui, de um ano para o outro muda muito. Então, essas empresas têm que vir aqui para perder o medo de falar em Inteligência Artificial...JC – Desmistificar...Bier – Vou dar um exemplo. Na minha empresa (Masal), há 20 anos, o pessoal falava em robô. E tínhamos certo receio de botar robô. Aí apareceu uma pessoa que tinha comprado um robô e não conseguiu pagar, foi para vender o robô. Eu disse: “eu compro, mas com a seguinte condição: tu tens que ficar trabalhando dois anos comigo aqui”. O que aconteceu? Ele instalou o robô na empresa e o meu pessoal perdeu o medo. Hoje temos uma série de robôs na empresa, porque perdemos aquele medo, aquela barreira. Então, isso que precisamos, exemplos como esse.JC - O Rio Grande do Sul tradicionalmente tem uma participação importante na Feira de Hannover. Vai ser protagonista também em 2026?Bier – Sim, essa é a nossa ideia. Como falei, vamos tentar trazer no mínimo 200 empresas. E assim que chegarmos ao Brasil já vamos começar a trabalhar esse tema. Com a nossa interiorização, uma das metas da nossa administração é levar a Fiergs para o Interior, vamos mostrar aos nossos industriais que eles devem vir aqui. E também vamos ver com governo gaúcho, Apex, a própria Fiergs e CNI, como podemos ajudá-los. Esse é o caminho.JC – Além da interiorização, outra bandeira da sua gestão é atrair os jovens na indústria...Bier – Estamos tentando mostrar aos jovens que a indústria não é mais aquela chaminé com fumaça preta, em que o operário trabalhava sujo, chegava em casa com as mãos sujas. Hoje já temos a indústria 4.0, algumas são quase laboratórios (de tão limpas). Nossa tese é que, se esses jovens podem trabalhar no Sesi e no Senai, as duas escolas nossas, por que não podem trabalhar na empresa? Isso tem acontecido muito. Damos a escola e de repente o aluno vai para outra atividade, para o comércio, um shopping, porque ainda tem esse estigma de que a indústria é aquela coisa feia, suja... Temos que mostrar a esses jovens que não é mais assim. Hoje a indústria é moderna, limpa, onde é muito bom trabalhar.JC - Ainda nos pilares da sua gestão, inovação e competitividade: como esses pontos dialogam com o que foi visto em Hannover?Bier – Inovação é o que estamos vendo aqui, sempre se aprende muito numa feira como essa, porque muda muito de um ano para o outro, a tecnologia está avançando muito. Então, essa atualização dos empresários, principalmente pequenos, é muito salutar. Essa é a inovação. E a competitividade, como vai produzir mais com o mesmo número de funcionários e máquinas... É fundamental que consigamos (avançar) nesses dois pilares.JC – Depois do anúncio do Brasil como país parceiro em Hannover, está se falando que o acordo União Europeia-Mercosul será ratificado até 2026. O quão importante é essa medida para o Rio Grande do Sul?Bier – A Fiergs é favorável a esse acordo, principalmente agora. Os Estados Unidos estão taxando a Europa, vejo muita oportunidade ao Mercosul, principalmente para o Brasil. Estou muito animado, vai ser muito bom (para o Rio Grande do Sul).
Guilherme Kolling, de Hannover

Em seu primeiro ano de gestão à frente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), o empresário Claudio Bier está participando pela primeira vez da Feira de Hannover. Além de observar as novidades em inovação, sai do evento já com um desafio: ampliar a participação de indústrias gaúchas em 2026, quando o Brasil será o país parceiro da feira. Representando também a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e liderando a comitiva, Bier teve uma reunião com dirigentes da Deutsche Messe AG, empresa que organiza a Feira de Hannover, e deu início aos preparativos para o próximo ano. O industrial projetou que o Brasil participe com pelo menos 200 empresas. E que o Rio Grande do Sul tenha, mais uma vez, protagonismo, já que tradicionalmente leva a maior delegação. “Assim que chegarmos ao Brasil, vamos começar a tratar esse tema.” Nesta entrevista, concedida aos jornalistas gaúchos que estão cobrindo a feira, Bier ainda destacou que quer também a participação de pequenas indústrias, para desmistificar temas como Inteligência Artificial (IA) e levar inovação ao Estado.

Jornal do Comércio – Quais as suas impressões nessa primeira participação na Feira de Hannover?

Claudio Bier – Primeiro, fiquei muito impressionado com a (cerimônia de) abertura da feira (no domingo), onde se viu que a Europa toda está muito preocupada com as barreiras que os Estados Unidos estão impondo. Já tinham um problema sério com a Rússia, o gás foi cortado aqui. Acho que é uma janela de oportunidades para o Brasil e o Mercosul, fornecer componentes e fazer muitos negócios com a Alemanha e com a Europa.

JC – Nesse contexto, o Brasil foi confirmado como país parceiro da Feira de Hannover em 2026. O que representa essa oportunidade para a indústria do País?

Bier – Vocês tiveram a oportunidade de ver por toda a cidade (de Hannover) e por toda a feira bandeiras do Canadá (país parceiro neste ano), e foi prestigiadíssimo na abertura. O Canadá tem um estande maravilhoso, em toda a feira se vê oportunidades de negócios. Acho que essa oportunidade o Brasil tem que pegar com unhas e dentes. Falando com o presidente da feira, fui ousado em dizer que esse ano trouxemos 75 empresas do Brasil para cá – mais de 70% da delegação é gaúcha – e prometi que ano que vem vamos trazer 200 empresas. O foco da nossa administração é para pequenas e médias empresas, vamos trabalhar para que venham aqui se atualizar. O Brasil está muito atualizado, o que vemos aqui, muita coisa tem no Brasil. Mas também muita coisa se aprende numa feira como essa. Vamos trabalhar com CNI, Sebrae, a Fiergs e outras federações, principalmente de Santa Catarina e Paraná, para trazer um número de muito grandes empresas, para que o Brasil tenha um protagonismo (em 2026) que o Canadá está tendo nessa feira.

JC – Para ser expositor, há um custo elevado. Será necessário ter subsídios. Outra possibilidade é vir para a Feira de Hannover como fez a delegação deste ano, veio visitar, participar de discussões, conhecer a feira. Como o senhor pensa em atrair as empresas para essa participação?

Bier – Vamos ter as duas modalidades. Como o Brasil vai ser o país parceiro, certamente vamos ter um estande grande, em que se pode subsidiar bastante os expositores. E também através da Apex, CNI e a Fiergs participando, o Sebrae, trazer os pequenos empresários gaúchos como visitantes, para que venham aprender, ver o que o mundo tem de novidade. A Inteligência Artificial que vemos aqui, de um ano para o outro muda muito. Então, essas empresas têm que vir aqui para perder o medo de falar em Inteligência Artificial...

JC – Desmistificar...

Bier – Vou dar um exemplo. Na minha empresa (Masal), há 20 anos, o pessoal falava em robô. E tínhamos certo receio de botar robô. Aí apareceu uma pessoa que tinha comprado um robô e não conseguiu pagar, foi para vender o robô. Eu disse: “eu compro, mas com a seguinte condição: tu tens que ficar trabalhando dois anos comigo aqui”. O que aconteceu? Ele instalou o robô na empresa e o meu pessoal perdeu o medo. Hoje temos uma série de robôs na empresa, porque perdemos aquele medo, aquela barreira. Então, isso que precisamos, exemplos como esse.

JC - O Rio Grande do Sul tradicionalmente tem uma participação importante na Feira de Hannover. Vai ser protagonista também em 2026?

Bier – Sim, essa é a nossa ideia. Como falei, vamos tentar trazer no mínimo 200 empresas. E assim que chegarmos ao Brasil já vamos começar a trabalhar esse tema. Com a nossa interiorização, uma das metas da nossa administração é levar a Fiergs para o Interior, vamos mostrar aos nossos industriais que eles devem vir aqui. E também vamos ver com governo gaúcho, Apex, a própria Fiergs e CNI, como podemos ajudá-los. Esse é o caminho.

JC – Além da interiorização, outra bandeira da sua gestão é atrair os jovens na indústria...

Bier – Estamos tentando mostrar aos jovens que a indústria não é mais aquela chaminé com fumaça preta, em que o operário trabalhava sujo, chegava em casa com as mãos sujas. Hoje já temos a indústria 4.0, algumas são quase laboratórios (de tão limpas). Nossa tese é que, se esses jovens podem trabalhar no Sesi e no Senai, as duas escolas nossas, por que não podem trabalhar na empresa? Isso tem acontecido muito. Damos a escola e de repente o aluno vai para outra atividade, para o comércio, um shopping, porque ainda tem esse estigma de que a indústria é aquela coisa feia, suja... Temos que mostrar a esses jovens que não é mais assim. Hoje a indústria é moderna, limpa, onde é muito bom trabalhar.

JC - Ainda nos pilares da sua gestão, inovação e competitividade: como esses pontos dialogam com o que foi visto em Hannover?

Bier – Inovação é o que estamos vendo aqui, sempre se aprende muito numa feira como essa, porque muda muito de um ano para o outro, a tecnologia está avançando muito. Então, essa atualização dos empresários, principalmente pequenos, é muito salutar. Essa é a inovação. E a competitividade, como vai produzir mais com o mesmo número de funcionários e máquinas... É fundamental que consigamos (avançar) nesses dois pilares.

JC – Depois do anúncio do Brasil como país parceiro em Hannover, está se falando que o acordo União Europeia-Mercosul será ratificado até 2026. O quão importante é essa medida para o Rio Grande do Sul?

Bier – A Fiergs é favorável a esse acordo, principalmente agora. Os Estados Unidos estão taxando a Europa, vejo muita oportunidade ao Mercosul, principalmente para o Brasil. Estou muito animado, vai ser muito bom (para o Rio Grande do Sul).

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