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Publicada em 01 de Abril de 2025 às 18:20

O RS, os problemas climáticos e o apoio aos produtores rurais

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ARTE/JC
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É de extrema relevância a bandeira levantada pelo governo do Rio Grande do Sul de não politizar ou partidarizar as demandas da União quanto às dívidas dos produtores rurais, mas reunir elementos capazes de convencer o governo federal de que a situação tem de ser tratada como prioritária depois de tantas intempéries que atingiram o RS no último ano. Um cenário que, estudos em nível mundial já mostram, deve se exacerbar com o acirramento das mudanças climáticas.
É de extrema relevância a bandeira levantada pelo governo do Rio Grande do Sul de não politizar ou partidarizar as demandas da União quanto às dívidas dos produtores rurais, mas reunir elementos capazes de convencer o governo federal de que a situação tem de ser tratada como prioritária depois de tantas intempéries que atingiram o RS no último ano. Um cenário que, estudos em nível mundial já mostram, deve se exacerbar com o acirramento das mudanças climáticas.
Foram enchentes severas - as maiores já registradas na história gaúcha - e estiagens em sequência nos últimos dois anos que deixaram produtores rurais em situação financeira crítica.
Por isso, acerta o governo ao buscar reunir elementos para levar à União demandas factíveis e viáveis para atender o RS e dar o suporte necessário para recuperar o setor rural, gravemente impactado pelos eventos meteorológicos extremos.
A securitização é um dos caminhos já aventados. O mecanismo é uma forma de transformar dívidas em títulos negociáveis, permitindo aos produtores acessar recursos essenciais para retomar suas atividades. Os agricultores cobram uma posição do governo federal não quanto ao alongamento das dívidas, mas quanto a um empréstimo com prazo longo e juros compatíveis com a realidade.
Ganha forma, contudo, uma outra alternativa. Seria os recursos do Fundo Social, formado com os royalties das vendas de petróleo na camada do pré-sal, cuja legislação prevê, entre outros, o uso para mitigação de eventos climáticos, seus efeitos e consequências.
A intenção é destinar recursos para alongar o pagamento das contas dos produtores e também criar uma linha de crédito para que o setor possa contratar novos recursos e investir na implantação de sistemas de irrigação.
O agronegócio é um dos principais setores da economia brasileira. E, em plena colheita da soja - o RS é o segundo maior produtor nacional -, as expectativas indicam resultados muito aquém do esperado. Enquanto no Brasil a previsão é de uma safra recorde, o RS luta para manter sua produção diante de adversidades climáticas.
Ao recorrer à União, o governo e todos os gaúchos devem ter em mente que quando o RS perde, todo o Brasil perde. O Estado é um dos três maiores produtores de grãos do País e sua economia é vital para o crescimento do PIB nacional. Assim, não é do interesse do Brasil ver o RS reduzindo sua produção, uma vez que as contribuições do Estado para o PIB brasileiro são inegáveis.

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