As próximas duas semanas que antecedem a Páscoa serão de muita pesquisa de preços pelos tradicionais ovos de chocolate. Ainda que o valor tenha aumentado menos do que em 2024, é preciso levar em consideração o fato de a inflação dos alimentos estar comendo a renda das famílias e aumentando o custo de vida de forma geral, sobrando bem menos dinheiro para presentear.
Com um panorama pouco animador, em 2025 foram produzidos 45 milhões de ovos, volume 22,5% menor do que no ano anterior, quando foram fabricadas 58 milhões de unidades, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab).
Um levantamento preliminar feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) indica que os ovos de chocolate estão 9,52% mais caros neste ano. A alta é menor do que a registrada em 2024, quando esses produtos tiveram avanço de 10,33% nos preços às vésperas da Páscoa.
Com a elevação registrada neste ano de 2025, a alta acumulada dos ovos de Páscoa nos últimos três anos chegou a 43%. Somente neste ano, o chocolate teve alta de 27,09%.
Entre os motivos para a expressiva elevação do preço do chocolate está o aumento do custo do cacau em nível mundial, de cerca de 180% em dois anos. Um cenário com reflexos no valor dos produtos para a Páscoa e para a produção permanente do setor. A alta da fruta se concentrou no segundo semestre do ano passado, em decorrência da quebra de safra nos grandes produtores africanos.
A instabilidade no setor deve se manter também nesta temporada, com o maior produtor, a Costa do Marfim - 2,18 milhões de toneladas -, ainda enfrentando impacto significativo de ondas de calor e da seca.
No Brasil não é diferente. Sexto no ranking mundial - 220.303 toneladas em 2023 -, o País enfrenta queda na produção como reflexo de problemas climáticos e do avanço de pragas. Em 2024, a queda foi de 18,5%, com 179.431 toneladas de amêndoas recebidas, frente à 2023, segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau. No País, mais de 90% da produção está concentrada nos estados do Pará e Bahia.
Levando-se em consideração esses aspectos, a percepção do mercado é de muita volatilidade e incerteza, tanto em relação à oferta, quanto em relação à demanda. Os preços que esses produtos serão ofertados ao consumidor, ainda que tabelados, podem ter variação no valor por conta dos varejistas. Assim, pesquisar pelo melhor custo- benefício deve ser o caminho.