O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, elogiou ontem a iniciativa do Senado de avançar com o chamado "PL da Reciprocidade", mas voltou a frisar que a posição do governo brasileiro é de diálogo em relação às medidas que devem ser anunciadas hoje pelos EUA.
"Eu acho que você ter um arcabouço jurídico legal é positivo. Louvo a iniciativa do Congresso, nesse caso do Senado, que procura preservar o interesse do Brasil, mas vou dizer que o caminho é o diálogo e procurar ter uma complementariedade econômica. E nós poderemos até avançar em outras parcerias", respondeu Alckmin.
"Eu acho que você ter um arcabouço jurídico legal é positivo. Louvo a iniciativa do Congresso, nesse caso do Senado, que procura preservar o interesse do Brasil, mas vou dizer que o caminho é o diálogo e procurar ter uma complementariedade econômica. E nós poderemos até avançar em outras parcerias", respondeu Alckmin.
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A um dia de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar seu novo e amplo plano tarifário, que poderá alcançar diversos produtos exportados pelo Brasil, Alckmin disse que o governo está aberto ao diálogo e repetiu que o País não é um problema para os Estados Unidos, que mantêm uma balança superavitária nas trocas com os brasileiros.
"(Importante) Destacar que, dos 10 produtos que eles mais exportam para o Brasil, oito têm ex-tarifário, é zero, não tem Imposto de Importação. E a tarifa média final de todos os produtos e serviços é de 2,7%. Então, o Brasil não é problema para os EUA. A medida de 25% sobre aço e alumínio (já anunciada pelo governo americano) não foi contra o Brasil, foi para o mundo inteiro."
"(Importante) Destacar que, dos 10 produtos que eles mais exportam para o Brasil, oito têm ex-tarifário, é zero, não tem Imposto de Importação. E a tarifa média final de todos os produtos e serviços é de 2,7%. Então, o Brasil não é problema para os EUA. A medida de 25% sobre aço e alumínio (já anunciada pelo governo americano) não foi contra o Brasil, foi para o mundo inteiro."
País afetado
Em relatório, o BTG Pactual avaliou que o Brasil pode ser diretamente afetado caso Trump decida aplicar tarifas generalizadas a setores específicos da economia. Além disso, caso os critérios para a taxação incluam países com barreiras comerciais superiores às americanas, o País seguirá na mira da política comercial de Trump.
No entanto, caso as medidas que devem ser anunciadas hoje sejam direcionadas apenas aos países com os quais os EUA têm grandes déficits comerciais, ou que tenham participação relevante no comércio americano, o Brasil não seria impactado inicialmente, considera o banco.
A tarifa média ponderada pelo volume de importações do Brasil é de 5,8%, ante cerca de 1,3% dos EUA. Em relação às barreiras não tarifárias, a discrepância é ainda maior - o Brasil tem um índice de 86%, acima do valor aplicado pelos EUA (77%) e da média internacional (72%).
No entanto, caso as medidas que devem ser anunciadas hoje sejam direcionadas apenas aos países com os quais os EUA têm grandes déficits comerciais, ou que tenham participação relevante no comércio americano, o Brasil não seria impactado inicialmente, considera o banco.
A tarifa média ponderada pelo volume de importações do Brasil é de 5,8%, ante cerca de 1,3% dos EUA. Em relação às barreiras não tarifárias, a discrepância é ainda maior - o Brasil tem um índice de 86%, acima do valor aplicado pelos EUA (77%) e da média internacional (72%).
Entre os setores brasileiros que poderão ser mais prejudicados, o BTG relaciona o de aeronaves, materiais de construção, etanol e madeira e derivados. No entanto, a diversificação da pauta de exportação brasileira limita o efeito geral sobre a balança comercial caso as tarifas sejam impostas a determinados setores.
Em um cenário de tarifa média similar ao valor que o Brasil impõe aos EUA (5,8%), o BTG estima perda de cerca de US$ 3 bilhões na balança comercial, podendo ultrapassar US$ 10 bilhões em 2026 no caso de tarifa linear de 25%.
Em um cenário de tarifa média similar ao valor que o Brasil impõe aos EUA (5,8%), o BTG estima perda de cerca de US$ 3 bilhões na balança comercial, podendo ultrapassar US$ 10 bilhões em 2026 no caso de tarifa linear de 25%.