O governo do Rio Grande do Sul entregou nesta segunda-feira (31) à Aeromot uma a concessão do terreno destinado à construção do empreendimento Aerociti (AeroCentro Integrado de Tecnologia e Inovação), hub industrial aeronáutico que funcionará em Guaíba. A área, pertencente ao Estado, estava destinada originalmente à instalação de uma fábrica da Ford na década de 1990, mas que nunca foi concretizada.
A construção da “cidade dos aviões” está prevista para iniciar ainda neste ano. Em 2027, a Aeromot espera que o projeto já esteja em operação. Além de produzir aviões do modelo DA62, da Diamond, a partir de 2026, a estrutura deverá ter uma pista de pouso adaptada para voos comerciais, podendo servir de alternativa para o Aeroporto Internacional Salgado Filho em caso de necessidade.
O governador Eduardo Leite (PSDB) ressalta que a obra deve colaborar para a resiliência do Estado e superação de eventos climáticos extremos — como a crise ocasionada pela enchente de maio de 2024, que inviabilizou as operações do Salgado Filho. “Vamos ter um aeroporto de backup, que vai ser utilizado em uma área industrial, atendendo a um propósito industrial de desenvolvimento de aviões, mas que se for necessário estará à disposição para o uso também em aviação em situação de emergência”, acrescenta.
Inicialmente, a Aeromot esperava iniciar a fabricação de aviões ainda neste ano, utilizando sua estrutura no Salgado Filho. Entretanto, a calamidade climática atrasou o projeto. Com isso, um novo estudo pós-enchente foi realizado, recalculando os rumos do empreendimento. A partir dele, foi protocolada a Licença de Instalação na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), que liberou os trâmites para a concretização do Aerociti. Ao todo, a empresa já investiu mais de R$ 50 milhões em mais de 40 estudos técnicos.
O orçamento inicial do projeto, que previa um prazo de 10 anos, era ainda maior: R$ 3 bilhões. Entretanto, o presidente da Aeromot, Guilherme Cunha, admite que será necessário um novo aporte de R$ 83 milhões para concretizar o ambicioso plano de produzir um novo modelo de aeronave: a AMT-X. O avião será 100% brasileiro e o primeiro do mundo a utilizar o etanol como combustível.
A promessa é de que o custo operacional seja reduzido e a eficiência ampliada em relação às aeronaves tradicionais. A Aeromot espera finalizar os projetos em até três anos. A partir daí, dentro de mais três anos, a produção deverá ser iniciada.
“Todos os projetos da aviação demandam um nível de certificação muito longo e por isso que nós estamos trazendo uma aeronave pronta com demanda, que é o da Diamond Code A62 que foi apresentada, ao qual a gente já tem inúmeras aeronaves para entregar, para que isso seja o pontapé inicial do parque industrial. A partir daí, a gente vai abrir um flanco de desenvolvimento, não somente próprio, mas também com a vinda de outras empresas”, explica o dirigente da Aeromot.