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Meio Ambiente

- Publicada em 05 de Dezembro de 2022 às 13:26

Co-fundador da reNature debate o papel da Engenharia nas mudanças climáticas

Villela é co-fundador da reNature, fundação holandesa com projetos de agricultura regenerativa em diversos países

Villela é co-fundador da reNature, fundação holandesa com projetos de agricultura regenerativa em diversos países


Unep/Reprodução/JC
Luciane Medeiros
Na próxima quinta-feira (8), o Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge-RS) realiza a 17ª edição do Painéis da Engenharia. O convidado é Felipe Villela, co-fundador da Fundação reNature, entidade holandesa com projetos em diversos países no âmbito da agricultura regenerativa. Nesta edição, o tema será COP-27 – A Engenharia no cenário das mudanças climáticas. Villela, especialista em mudanças climáticas, participou de debates durante a 27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, realizada no Egito no mês passado. Em entrevista ao Jornal do Comércio, ele fala sobre a atuação da Fundação e a experiência de participar da COP-27, entre outros temas.
Na próxima quinta-feira (8), o Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge-RS) realiza a 17ª edição do Painéis da Engenharia. O convidado é Felipe Villela, co-fundador da Fundação reNature, entidade holandesa com projetos em diversos países no âmbito da agricultura regenerativa. Nesta edição, o tema será COP-27 – A Engenharia no cenário das mudanças climáticas. Villela, especialista em mudanças climáticas, participou de debates durante a 27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, realizada no Egito no mês passado. Em entrevista ao Jornal do Comércio, ele fala sobre a atuação da Fundação e a experiência de participar da COP-27, entre outros temas.
Jornal do Comércio - Você esteve na lista Under 30 da Forbes em 2020. Pode retomar um pouco da trajetória profissional, qual a formação e como chegou até a Fundação reNature?
Felipe Villela - Eu venho de uma família que já trabalhava com produção de citricultura (laranja e limão Tahiti) no interior de São Paulo, em Limeira. Aos 7 anos, fui morar em Porto Alegre, e me criei no Sul. Comecei o curso de Engenharia de Produção na Pucrs e no meio do curso fui fazer uma viagem de carro para a Amazônia para explorar a riqueza da biodiversidade e da natureza no País. Ao me deparar com o desmatamento na região por conta da agropecuária, mineração e extração de madeira ilegal, comecei a me questionar cada vez mais sobre a forma em que produzimos nossas culturas agrícolas e a relação entre desmatamento nas mudanças climáticas e consequentemente em diferentes indústrias e setores. Foi aí que embarquei em uma jornada de aprofundamento no conhecimento de agricultura regenerativa e agrofloresta, conhecendo melhor práticas agrícolas que incluem a natureza e as florestas, produzindo de forma harmônica com a natureza. Tentando disseminar este conhecimento no Brasil eu entendi que estávamos, e ainda estamos, muito atrasados com essa agenda. Portanto resolvi ir para a Holanda há oito anos estudar Agronegócio Sustentável e me relacionar com pessoas que investem no tema da agricultura sustentável. Conheci meu sócio fundador, Marco de Boer, e fundamos a reNature. Juntos, captamos mais de R$ 4 milhões em dois anos e começamos a crescer internacionalmente, com projetos na América Latina, África e Sul da Ásia. A reNature é tanto uma organização híbrida, uma fundação sem fins lucrativos quanto uma empresa com fins lucrativos.
JC - Qual o objetivo da Fundação reNature?
Villela - Apoiar produtores rurais e empresas corporativas na transição de práticas agrícolas através da agricultura regenerativa, prática agrícola que tem como princípio aumentar a saúde do solo e criar maior resiliência climática na lavoura. Nosso objetivo principal é regenerar 2% do total de áreas agrícolas e apoiar 2% do total de produtores rurais na transição de práticas até 2035, o correspondente a 100 milhões de hectares e 10 milhões de produtores rurais. Hoje, já estamos trabalhando em projetos que somam mais de 1,4 milhão de hectares em regeneração, 160 mil produtores em transição e mais de 26 milhões de toneladas de carbono sendo sequestrados.
JC - Em quantos países a Fundação atua e quais os projetos em desenvolvimento?
Villela - Nossa base fica na Holanda e recentemente (2022) abrimos no Brasil. Nestes países fica a equipe mais estratégica. As operações da reNature ficam mais no sul do globo, em países da América Latina, África e Sul da Ásia. O maior volume de projetos é no Brasil, México, Kenya e Indonésia. Escolhemos tais geografias por conta da altíssima taxa de desmatamento e degradação do solo nesses países. Demos prioridade em selecionar nações mais vulneráveis aos impactos climáticos e provar que é mais economicamente viável trabalhar com práticas regenerativas do que convencionais de monocultivo.
JC- Que parcerias e trabalhos a Fundação possui atualmente no Brasil?
Villela - No Brasil temos projetos variados em geografias e culturas agrícolas. São projetos com cacau no Pará e Bahia, de café em Minas Gerais e Amazônia, pecuária regenerativa em São Paulo e Mato Grosso, grãos (soja, milho) no MT, algodão no MT, óleo de dendê no Pará e açaí na Amazônia. Trabalhamos com diversos parceiros corporativos desde Nespresso (Nestlé) com café, Givaudan com guaraná, Moet Chandon com produção de uva, Incrível da JBS com soja, Amaggi com soja e algodão, Rabobank, Agri3 e Grupo Locks com soja e algodão, etc.
JC- Como os créditos de carbono podem auxiliar no desenvolvimento de pequenos agricultores e quais os benefícios ao meio ambiente?
Villela - Os créditos de carbono são ativos ambientais que diversificam a renda dos produtores rurais pelo impacto que eles podem gerar. Portanto um produtor que possui práticas convencionais de monocultivo provavelmente tem uma fazenda que emite mais do que sequestra, ou sequestra mas pouquíssimo. Ou seja, ela não pode acessar créditos de carbono ou receber muito pouco por isso. Já produtores com boas práticas regenerativas saem no balanço positivo de carbono e podem acessar créditos de carbono de valor agregado no mercado estrangeiro. Assim como foi o piloto que fizemos com uma cooperativa no Pará chamada CAMTA (Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu), que conseguimos fazer um piloto de créditos de carbono com o Rabobank e Microsoft, onde os produtores receberam em torno de R$ 25 mil pelos créditos gerados. Os filhos dos produtores começaram a ver o potencial e um motivo maior para ficar no campo ao invés de ir para a cidade. O impacto dos créditos de carbono pode ajudar a manter o processo de sucessão familiar no campo.
JC - Você participou recentemente da Conferência da ONU sobre o Clima. Quais os principais avanços que o encontro possibilitou e o que precisa ser melhorado?
Villela - Estive na COP-27 no Egito para trazer a necessidade de investimentos e políticas públicas para Agricultura Regenerativa para podermos garantir segurança alimentar e resiliência climática na agricultura mundial. Hoje temos 33% dos solos mundiais já degradados e chagaremos a 90% até 2050. Como iremos produzir nossos alimentos com um solo em degradação? Nossa segurança alimentar está em risco. Portanto, meu trabalho foi fazer lobby para trazer capital para Agricultura Regenerativa, preservação da Amazônia e incentivos para PSA (pagamentos pelos serviços ambientais).
JC - Na próxima semana, você participa de evento abordando o tema COP-27 – A Engenharia no cenário das mudanças climáticas. Pode adiantar alguns tópicos que serão tratados no encontro?
Villela - Neste encontro no Senge/RS irei palestrar sobre os impactos das mudanças climáticas em diferentes indústrias, citando exemplos no agro e outros. Falarei também sobre o papel dos engenheiros diante o enfrentamento das mudanças climáticas e trazer soluções concretas de como podemos agir tanto individualmente ou coletivamente para isso. Contarei sobre minha experiência na COP-27 e sobre alguns compromissos fundamentais que saíram de lá, e o que podemos fazer em nosso poder para frear o aquecimento global e ficarmos abaixo dos 1,5°.
JC - Qual o papel da Engenharia e de outros setores importantes da economia nas mudanças climáticas? De que forma podem contribuir para frear os problemas que representam uma ameaça ao planeta?
Villela - A Engenharia tem o papel fundamental de incluir os riscos climáticos em qualquer operação que envolva dependência de fatores climáticos ou da gestão dos recursos naturais. Incluir em seus escopos de trabalho estratégias de redução de emissões de GEE (gases de efeito estufa) e suas compensações de emissões em projetos que capturam carbono.
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