Jefferson Klein, de Teutônia
A construção da hidrelétrica Bom Retiro, que deverá absorver um aporte de aproximadamente R$ 250 milhões, será o maior investimento já feito pela cooperativa Certel, de Teutônia. O anúncio do empreendimento, que será implementado no rio Taquari e abrangerá os municípios de Bom Retiro do Sul, Lajeado, Estrela e Cruzeiro do Sul, foi feito nessa quarta-feira (23), na sede da associação.
A capacidade instalada da usina, conforme o presidente da Certel, Erineo José Hennemann, ainda depende de aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e deverá ficar entre 30 MW a 35 MW. Ele destaca que a estrutura será capaz de produzir energia suficiente para atender a uma cidade de cerca de 100 mil pessoas. A expectativa é que dentro de aproximadamente três anos o complexo já consiga entrar em operação.
O dirigente frisa que a iniciativa é importante para o Estado, mas especialmente para o Vale do Taquari. “Não é só energia que vai gerar, vai gerar emprego e renda”, afirma o presidente da Certel. Deverão ser criados em torno de 500 postos de trabalho durante a execução das obras. Hennemann detalha que a Certel desenvolverá o empreendimento em parceria com a empresa Bom Retiro Energia, sendo que a cooperativa será a majoritária nessa sociedade.
A energia será escoada por uma linha de transmissão que ligará a usina até uma subestação em Estrela. Parte da geração da hidrelétrica deverá ser comercializada através de leilão de energia (mecanismo promovido pelo governo federal para atender ao sistema elétrico interligado nacional) e outra parcela destinada ao mercado livre (formado por grandes consumidores, como indústrias e shopping centers, que podem escolher de quem comprar a energia).
O diretor de geração e comercialização de energia da Certel, Julio Cesar Salecker, adianta que a perspectiva é disputar certames com o projeto a partir do próximo ano. Um diferencial do empreendimento é que ele será realizado no entorno de uma eclusa existente no rio Taquari, que auxilia a navegação na região. Salecker ressalta que a presença dessa eclusa facilita a concretização da usina. “Nós vamos ter uma hidrelétrica sem precisar fazer a barragem, o lago está pronto, toda a questão socioambiental resolvida, geralmente o maior problema de uma usina é a implantação do lago”, enfatiza o dirigente.
Por sua vez, a secretária estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Marjorie Kauffmann, confirma que o fato de já ter um lago formado no local minimiza os impactos da construção da hidrelétrica. Ela lembra que o projeto conta com licença prévia. Para a usina conseguir o licenciamento de instalação, a secretária explica que é preciso ainda a liberação ambiental prévia da linha de transmissão que movimentará a energia a ser gerada. “Eu acredito que no mês de setembro, no máximo outubro, a gente tenha as duas licenças”, calcula Marjorie.