Seguindo carreira solo desde 2019, o cantor, compositor e instrumentista Rodrigo Fontoura, conhecido no meio musical como "Fileh", se prepara para show de lançamento de seu novo disco Pra falar das nossas coisas, agendado para acontecer (com entrada franca) na noite do dia 24 de abril, no Grezz (rua Almirante Barroso, 328). O álbum chega às plataformas de áudio no streaming nesta quarta-feira (2), mas também está disponível pelo YouTube do artista, onde, junto com as músicas, é possível conferir cenas de making of das gravações.
Produzido pelo músico Tuti Rodrigues, com recursos do Fumproarte, Pra falar das nossas coisas mistura samba com outros gêneros e linguagens musicais com influências da música afro gaúcha e conta com oito faixas, incluindo canções que refletem sobre as experiências de vida de Fontoura e homenageam as raízes culturais do Rio Grande do Sul. Com temáticas diversas, as letras falam de vivências em família e entre amigos, de amores e romances, de fé, de religião afro, de ancestralidade, de questões raciais e criticas sociais. "É um projeto pra falar das nossas coisas, bem como diz o nome do disco: das minhas e das dos meus", sinaliza.
Ao contrário de seu primeiro EP, As canções do meu quintal – gravado em 2020, durante o período de isolamento por conta da pandemia de Covid 19 – o artista (que também toca violão, cavaquinho e bandolim) optou por assumir a voz das canções do novo disco, deixando a parte instrumental de Pra falar das nossas coisas ser executada por outros músicos. Para isso, contou com a parceria de Vorô Silva (cavacos), Max Garcia (banjo, violões 6 e 7 Cordas), Tuti Rodrigues (percussão), Igor Keven (percussão), Duda Lopes (percussão), Amadeu Medina (percussão), Cleomenes Jr. (flauta e sax soprano), Felipe Moura (metais), Gordo Batera (bateria), Boris Farias (contrabaixo) e Adriano Wigger (piano, teclados e efeitos). Com excessão de Batera e Farias (que residem no Rio de Janeiro), o grupo também irá acompanhar Fontoura no show de lançamento que ocorrerá no Grezz.
Todas as músicas do segundo trabalho solo do compositor – que até 2019 tocava em bandas de outros artistas – são inéditas. "Duas delas, eu compus sozinho; quatro fiz em parceria com outros músicos, e as outras duas são de autoria de artistas que admiro", pondera. "A primeira faixa do disco é Bailarina, composta em parceria com Duda Lopes no auge da pandemia de Covid-19. Essa canção fala da saudade do convívio com pessoas, de fazer um som juntos e de esperança", adianta Fontoura.
"Capitão do Mato aborda as incertezas sobre o futuro do País logo após as eleições de 2018, sendo um manifesto sobre a condição do negro na sociedade; Nação de Ogum (composta com Francisco Teixeira, Gianni Gil e Maninho Veiga) traz a memória da cidade de Pelotas, de onde vem minha família paterna, uma região importantíssima para o desenvolvimento da cultura afro gaúcha, ponto de entrada de vários escravizados e de grande riqueza cultural", prossegue o artista.
O disco ainda conta com a música Numa tarde de sol, de autoria dos compositores gaúchos Guinter Vieira, Daniel Delavusca e Xannd Sy, além de parcerias com os compositores Nando Pedroso e Luciano Magalhães.
Além de músico, Fontoura é produtor e educador musical, atuando tanto nos palcos como nos bastidores. "A educação musical vem antes do meu viés de artista, que surgiu pós-pandemia", destaca o compositor. "Tanto nas aulas particulares como em escolas, trabalho sempre a partir da música popular brasileira, levando repertório de artistas nacionais e buscando despertar nas crianças o entendimento que a música faz parte do dia a dia dela, assim como matemática ou português", observa.
A história de Fontoura ainda está ligada às rodas de samba: um de seus shows de repertório, inclusive se chama Samba do Fileh. "Trata-se de samba na sua essência", ressalta o artista, que tem afinidade com a música desde criança. Fontour lembra de, ainda menino, esperar sua tia chegar em casa com o LP dos sambas enredos do carnaval carioca, lá nos anos 1990. "Ganhei meu primeiro violão aos 12 anos, da minha vizinha. Estava quebrado e ela me entregou para liberar espaço na garagem dela. A partir daí a música sempre andou lado a lado com as atividades que exerci na vida, até se tornar minha principal atividade profissional", conta Fontoura, emendando que suas referências musicais passam por Paulinho da Viola e Chico Buarque, e se firmam na Velha Guarda da Portela, no cantor Jorge Aragão e no grupo Fundo de Quintal.