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Publicada em 27 de Março de 2025 às 18:42

Exposição resgata obras de Roberto Fronckowiak no Museu de Arte do Paço

Com curadoria de Dudu Sperb, a exposição 'Luz e Paixão - pinturas de Roberto Fronckowiak' reúne 41 obras do artista gaúcho, falecido em 2019

Com curadoria de Dudu Sperb, a exposição 'Luz e Paixão - pinturas de Roberto Fronckowiak' reúne 41 obras do artista gaúcho, falecido em 2019

Dudu Sperb/Divulgação/JC
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Adriana Lampert
Adriana Lampert Repórter
A exposição Luz e Paixão - pinturas de Roberto Fronckowiak, que está em cartaz no Museu de Arte do Paço (Praça Montevidéu, 10), promete ser um evento histórico para os apreciadores de arte em Porto Alegre. Com curadoria do cantor e compositor Dudu Sperb (que também é artista visual), a mostra busca preservar a memória e o legado do artista gaúcho, ao mesmo tempo em que comemora a incorporação ao acervo do Museu de seis de suas pinturas, doadas por sua última companheira, Kundry Lyra Klippel. A visitação ocorre até 23 de maio, de segundas às sextas-feiras, das 9h às 17h, com entrada franca.
A exposição Luz e Paixão - pinturas de Roberto Fronckowiak, que está em cartaz no Museu de Arte do Paço (Praça Montevidéu, 10), promete ser um evento histórico para os apreciadores de arte em Porto Alegre. Com curadoria do cantor e compositor Dudu Sperb (que também é artista visual), a mostra busca preservar a memória e o legado do artista gaúcho, ao mesmo tempo em que comemora a incorporação ao acervo do Museu de seis de suas pinturas, doadas por sua última companheira, Kundry Lyra Klippel. A visitação ocorre até 23 de maio, de segundas às sextas-feiras, das 9h às 17h, com entrada franca.
Nascido em Rio Grande no ano de 1942, Fronckowiak iniciou na pintura em 1958, de forma autodidata. A partir de 1960, já radicado na capital gaúcha, passou a dedicar-se também à modelagem em acrílico, cerâmica, fotografia, serigrafia, marchetaria e ao desenho de cenários para televisão, teatro e cinema. Ainda que tenha dedicado sua vida às artes visuais, o artista multifacetado não chegou a promover sua produção de maneira efetiva, desenvolvendo o ofício à margem das grandes galerias e museus. "Ele vendia suas obras em feiras — como a do antigo Largo da Epatur e a do Brique da Redenção, em Porto Alegre, e na Fearte de Gramado —, ou mesmo em casa, onde as pessoas o procuravam com frequência com o propósito de adquirir seus trabalhos", comenta o curador da mostra. "Desta forma, ele conquistou seu status de artista visual", emenda.

Reunindo, pela primeira vez, 41 obras (40 pinturas e um grafite) de Fronckowiak, a maioria proveniente de coleções familiares, a exposição Luz e Paixão... oferece uma visão abrangente de sua vasta produção artística, cujas principais temáticas são cenas rurais, paisagens marinhas e naturezas-mortas. "São obras com recortes de abstração pura. Ele buscava a expressividade com técnicas diversas (utilizando seguidamente, na elaboração de uma mesma pintura, as cerdas e o cabo do pincel, além da espátula), explorando cores vivas e luzes delirantes", destaca Sperb.
Em sua primeira investida como curador, o cantor e compositor comenta que descobriu a obra de Fronckowiak adquirindo algumas de suas pinturas com Kundry, de quem é amigo pessoal. "Gostei muito do trabalho dele, e enviei algumas imagens para a Pinacoteca Aldo Locatelli, que escolheu seis de suas obras para inserir em seu acervo (todas doadas pela Kundry). Outras seis foram doadas para o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), mas estas não entraram na mostra do Museu do Paço, para que possam ser expostas, no futuro, de forma inédita, caso a Instituição decida por assim o fazer", conta Sperb. Ele ressalta a importância de que a obra de Fronckowiak seja preservada e apreciada pelas futuras gerações: "Seria uma injustiça ele não ser conhecido", sinaliza. 
Marcada pela intensidade, pela paixão do artista pela pintura e por seu "gosto" pelo expressionismo, a exposição Luz e Paixão... conta uma pintura grande em acrílico, embora a maioria tenha sido feita em óleo sobre tela e óleo sobre eucatex. "Ainda que as temáticas sejam paisagens rurais e marinhas, suas obras não tratam de retratação pura e simples da natureza, nem remetem a um realismo cabal, mas sim a um universo idealizado", adianta Sperb. "Na série de naturezas-mortas, ele ainda usava frutas e legumes, além de folhas de jornais, que servem como papel de embrulho. Nelas, as manchetes — que sutilmente trazem notícias que dão conta de seu tempo e seu lugar — dividem a cena com as compras da feira, revelando uma visão crítica da condição humana e seu envolvimento, tanto com os rumos do mundo, quanto com as coisas triviais", completa. 
Somando à força de sua eloquência pictórica um dom natural, o estudo e o aprimoramento contínuos, a compreensão dos atributos plásticos e a habilidade no manejo dos materiais, Fronckowiak logrou constituir uma obra capaz de seduzir quem a contempla, garante o curador. "Êxtase, surpresa, inquietação ou curiosidade são algumas das emoções que a obra dele pode despertar." Sperb afirma que a mostra no Museu de Arte do Paço é o primeiro movimento para resgatar a obra do artista. "Pelo que conversei com as pessoas que o conheciam, ele era muito exigente consigo mesmo, talvez por isso não sentia o ímpeto de buscar a consagração em grandes galerias. No entanto, ele consta no Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do Sul (1ª ed/ 1997), de autoria de Renato Rosa e Decio Presser – então, não era totalmente desconhecido: foi reconhecido como artista em vida, por um certo meio das artes visuais, pelo conjunto de sua obra profícua de várias frentes, sobretudo a pintura." 
 

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