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Bruna Suptitz

Bruna Suptitz

Publicada em 01 de Abril de 2025 às 19:53

Ano de 2024 bateu recordes em eventos climáticos extremos na América do Sul e Caribe

Enchente do Rio Grande do Sul é citada no relatório; na foto, Viaduto Utzig, Zona Norte da Capital

Enchente do Rio Grande do Sul é citada no relatório; na foto, Viaduto Utzig, Zona Norte da Capital

TÂNIA MEINERZ/JC
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O clima e os fenômenos climáticos extremos impactaram a América do Sul e o Caribe, provocando mortes e afetando a socioeconomia da região. De acordo com o novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), geleiras morrendo, furacões excepcionais, incêndios florestais sem precedentes, secas debilitantes e inundações mortais deixaram uma marca profunda no contexto socioeconômico da porção latino-americana do continente.
O clima e os fenômenos climáticos extremos impactaram a América do Sul e o Caribe, provocando mortes e afetando a socioeconomia da região. De acordo com o novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), geleiras morrendo, furacões excepcionais, incêndios florestais sem precedentes, secas debilitantes e inundações mortais deixaram uma marca profunda no contexto socioeconômico da porção latino-americana do continente.
Os dados constam no Relatório do Estrado do Clima na América Latina e no Caribe, apresentado em uma reunião de uma Associação Regional da Organização Mundial de Meteorologia, realizada em El Salvador no dia 28 de março.
O objetivo é informar decisões a favor da mitigação das mudanças climáticas, da adaptação aos seus efeitos e da gestão de riscos no nível regional. As informações são do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que esteve representado no evento pelo climatologista Jose Marengo.
"Em 2024, bateram recordes as inundações, secas, incêndios florestais no Brasil e furacões na América do Sul. O evento climático El Niño, no primeiro semestre do ano exacerbou esses efeitos", destaca Marengo.
O relatório cita 10 desastres no Brasil no ano passado, como as enchentes causadas pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul, causando 180 mortes e perdas econômicas no setor agrícola, a seca generalizada que atingiu a Amazônia e o Pantanal e as altas temperaturas que afetaram o sistema hídrico.
O Cemaden é apontado como modelo de monitoramento na América do Sul, emitindo alerta de riscos de desastres, além de realizar pesquisas e promover inovações tecnológicas para aprimorar o sistema de alerta para redução do risco de desastres.

Temperaturas

  • De acordo com o Relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe, em 2024 a temperatura média na América Latina e no Caribe estava 0,90°C acima da média do período 1991-2020. Dependendo do conjunto de dados utilizado, 2024 foi o ano mais quente já registado na América Central e nas Caraíbas, e o ano mais quente ou o segundo mais quente alguma vez registado no México e na América do Sul.

Secas

  • Os padrões de precipitação foram influenciados pelas condições características do episódio El Niño, que prevaleceu durante o primeiro semestre do ano. O relatório aponta como exemplo a seca generalizada que atingiu a Amazônia e o Pantanal, onde as chuvas ficaram entre 30% e 40% abaixo do normal. O rio Negro, em Manaus, atingiu um mínimo histórico, e o rio Paraguai, em Assunção, registou o seu nível mais baixo em 60 anos.
  • Os incêndios florestais nas regiões da Amazônia e do Pantanal, no centro do Chile, no México e em Belize foram alimentados pela seca e por ondas de calor extremas, quebrando recordes em muitos países. No Chile, os incêndios causaram mais de 130 vítimas mortais e tornaram-se na pior catástrofe sofrida pelo país desde o terramoto de 2010.

Inundações

  • No Rio Grande do Sul, as enchentes causadas pelas fortes chuvas causaram perdas econômicas no setor agrícola de cerca de R$ 8,5 bilhões e se tornaram o pior desastre climático do Brasil. A oportunidade dos avisos e das evacuações ajudou a mitigar as consequências das cheias, mas ainda assim registaram-se mais de 180 vítimas mortais, prova de que as autoridades e a população devem compreender melhor os riscos de catástrofes.

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