Clientes já se acostumaram infelizmente com a queda na qualidade de instalações e no suprimento de produtos em lojas do supermercado Nacional, antes mesmo de o grupo francês Carrefour colocar as unidades à venda no Rio Grande do Sul. Mas a situação só piora. Na filial de Torres, no Litoral Norte, geladeiras vazias surpreenderam consumidores nesta segunda-feira (31).
"Triste demais. Nada de reposição", lamenta a moradora Naná Hausen. "Há três semanas tenho comprar produtos e não repõem", conta Naná.
A loja, no Centro da cidade litorânea e que deve ser fechada porque não teria comprador do ponto - o mesmo se fala das filiais de Capão da Canoa e Tramandaí -, apresenta diversas áreas completamente desabastecidas de itens como laticínios e embutidos. Mesmo freezers de carnes ostentam diversas prateleiras vazias.
Geladeiras com carnes apresenta áreas vazias, indicando falta de reposição de produtos
NANÁ HAUSEN/DIVULGAÇÃO/JC
Expositores refrigerados no meio de corredores também apresentam espaço ocioso, onde estariam hambúrgueres e pizzas para preparo em casa, por exemplo.
Em geladeiras onde normalmente estariam cervejas de marcas mais procuradas, foram colocadas opções de chope envasado.
Funcionários do Nacional dizem que há desabastecimento e não sabem quando vai ocorrer reposição. Sobre o futuro da unidade e de outras na região, o grupo Carrefour não comenta e nem responde sobre pedido de informações feito pela coluna Minuto Varejo.
No Rio Grande do Sul, são 39 lojas, sendo que 13 já foram vendidas - 11 para o grupo Nicolini, com sede em Bagé, e uma para o Kern, de Ivoti, e outra para o Viezzer, de Canoas. Faltam ser negociados 26 pontos. Os imóveis são locados.
Gôndolas refrigeradas em corredores também está com menos mercadorias
NANÁ HAUSEN/DIVULGAÇÃO/JC
Entre as dificuldades para fechar as negociações, redes interessadas já ouvidas pela coluna apontam valor elevado de aluguéis e exigência do Carrefour para manter o quadro de empregados, o que serviria para evitar passivo trabalhista futuro.
Pelo menos dois grupos afirmaram que a exigência impediu as tratarias, como a Comercial Zaffari, dona do Stok Center e segundo maior do Estado, e Asun, sétima maior, pelo ranking da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), de 2023.
Em meio ao impasse, a Federação dos Comerciários do Estado e o Carrefour firmaram acordo prevendo indenização a funcionários de lojas que forem fechadas sem serem vendidas. A medida prevê pagamento de vale alimentação e um salário por ano trabalhado, limitado a seis parcelas.