Só pode ser brincadeira, Sr. Feynman! As excêntricas aventuras de um físico (Editora Intríseca, 368 páginas, R$ 69,90, tradução de Donaldson Garschagen e Renata Guerra) é uma nova edição do clássico livro de memórias do físico norte-americano, tido como o mais divertido dos gênios. Com nova capa e introdução de Bill Gates, a obra mostra todo o brilhantismo, a graça e o humor de quem sabia muito bem que é possível rir ao mesmo tempo em que se provoca reflexões.
Richard P. Feynman , considerado um dos 10 maiores cientistas de todos os tempos, recebeu em 1965, aos quarenta e sete anos, o prêmio Nobel de Física por suas pesquisas sobre eletrodinâmica quântica. O cientista nasceu em 1918 em Nova York e formou-se no prestigiado MIT- Massachussetts Institute of Technology. Foi professor na Universidade de Cornell e no Instituto de Tecnologia da Califórnia. Faleceu em 15 de fevereiro de 1988, aos 69 anos de idade.
Entre as muitas histórias inusitadas que o leitor encontrará, destacam-se os diálogos travados com Einstein sobre física atômica, o arrombamento de cofres que continham informações sobre o programa nuclear norte-americano, além de suas concorridas palestras e também as estripulias no carnaval no Brasil e a aptidão para tocar bongô.
Feynman tinha especial talento para explicar conceitos difíceis aos leigos e foi chamado de mágico pelo físico americano Hans Bethe. Realmente, Feynman transformava a ciência em diversão para quem não era do meio acadêmico.
Em 1986, por exemplo, Feynman foi à TV explicar a queda do ônibus espacial Challenger usando um copo plástico cheio de gelo.
Além da insaciável curiosidade científica, Feynman se entusiasmava com instrumentos musicais, pintura, idiomas, comportamento humano e biologia, entre outros interesses.
Não por acaso Feynman é um dos intelectuais mais adorados de sua geração e até hoje fascina todos os apaixonados por ciência.
A cultura de luta antirracista e o movimento negro do século 21 (Pallas Editora, 276 páginas, R$ 78,00), de Thayara de Lima, graduada em História e Mestra e Doutora em Educação pela UFRJ, analisa com clareza e didatismo aspectos históricos desde as lutas na África até a ação plural, descentralizada e capilarizada do movimento negro brasileiro, liderado majoritariamente por mulheres.
A devoção do Suspeito X (Estação Liberdade, 352 páginas, R$ 84,00), do premiado japonês Keigo Higashino, romance premiado e que se tornou série e filme de sucesso, foge do esquema clássico das narrativas policiais e mostra diversidade de pontos de vista e de lógica envolvendo a narrativa que inicia com mãe e filha buscando curar feridas. Aí um reencontro inesperado e um cadáver num rio aparece...
Romeu e Julieta - William Shakespeare (Elo Editora, 108 páginas, R$ 67,00), peça teatral clássica, foi adaptada em prosa pela escritora e roteirista Flávia Côrtes, e as modernas ilustrações de Rodrigo Mafra acompanham o texto, um dos maiores clássicos da literatura universal. Amor proibido, ciúmes, jogo de poder estão na obra de um jeito novo. O prefácio é um abraço em forma de texto, do consagrado professor e escritor Caio Riter.
Segundo os dicionários, elegância é uma harmonia caracterizada pela leveza e facilidade na forma e movimento, envolvendo eficácia e simplicidade. Donaire, garbo, bom gosto, distinção, delicadeza e graça são sinônimos. Elegância vem do latim elegantia ou elegans e é uma forma bela de agir e demonstrar e expressar sentimentos. Antigamente elegantes eram as pessoas exigentes, que escolhiam muito e não aceitavam facilmente o que lhes apresentavam. Há quem diga que se nasce elegante. Outros acham que se você não é a Costanza Pascolato, o Obama ou o Paulinho da Viola, três elegantes de raiz, ainda assim dá para aprender a ser elegante. Elegância é difícil de ser ensinada e anda meio rara, mas vale a pena tentar, para melhorar a convivência e o planeta.
A internet amplificou a importância da imagem e aí a elegância perdeu terreno. Quase tudo virou business e até as estrelas de cinema e as celebridades em geral por vezes não dão a mínima para aparência, gestos, postura, educação, vestuário e outras características da elegância.
Livros de etiqueta, que faz parte da elegância, estão meio em baixa, com exceção daqueles mais voltados para o sucesso pessoal e para o ambiente corporativo.
Sempre é bom lembrar que elegância é ser simples, espontâneo, verdadeiro. É elogiar mais do que criticar, ouvir mais do que falar e não fazer muita fococa e comentários maldosos. Falar baixo, olhar nos olhos das pessoas, chamá-las pelo nome e tratar todo mundo bem, desde o mendigo até o Papa, é ser elegante. Dar o lugar, dar um sorriso, dizer desculpe, obrigado e com licença, presentear fora de hora, oferecer flores e abrir portas faz parte da elegância. Gestos comedidos, ajudar os outros, não ficar monologando sobre doenças, desgraças e desafetos, respeitar as regras do grupo e ser ousado sem radicalimos, isso é elegância.
Elegância não é só saber usar garfo e faca, usar a roupa certa e saber se comportar. Elegância é ficar feliz com a felicidade dos amigos, não achar que "com amigo não tem que ter estas frescuras". Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que vão desfrutá-la, é bom saber. Ser elegante não tem a ver só com nariz empinado, joias, roupas de grife, iates, carrões, mansões e sobrenome e isso tudo não substitui os gestos e as palavras elegantes. Elegância tem mais a ver com ser gentil, delicado, útil e polido e ter saúde, sabedoria e solidariedade. Ser elegante é não ficar contando vantagem, não falar em dinheiro em conversas informais e fazer algo por alguem, e este jamais saber o que você teve que se arrebentar para fazê-lo.
Elegância é não ficar espaçoso demais e nem mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. Elegância é oferecer silêncio diante de uma rejeição e retribuir o carinho, os abraços recebidos e o apoio.
Elegante foi aquela senhora que estava com três empregadas no palacete e ela mesma foi preparar e servir sanduíches para os filhos e amigos. Elegante foi aquele vendedor de bala da esquina, que quando recebeu um presente de natal de um estranho, que estava dirigindo um carro, ofereceu algumas balas como retribuição. Pequenos gestos, grande elegância.
Entre a rapidez dos gestos da comédia e a lentidão dos gestos da tragédia, que tal a serenidade elegante de encontrar o tempo necessário para você ter o domínio da sua presença? Tempo para entrar na vida, nos lugares e nos espaços dos outros suavemente, sorrindo, mostrando sua alegria e sua gratidão por estar vivo, compartilhando o positivo e entrando como se os sinos saudassem sua chegada. Que tal respeitar a você mesmo, se gostar e perceber que você, que é um e único, humildemente, significa tanto para que o mundo seja melhor, mais bonito e elegante? (Jaime Cimenti)