O galeto Di Paolo surgiu em 1994, entre Garibaldi e Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, berço da gloriosa Imigração Italiana, que este ano completa 150 anos de história. Di Paolo 30 Anos, Alegria à vontade - Dalla Serra Gaúcha al Brasile e al Mondo! é um belo volume encadernado, de 240 páginas e impresso em papel couchet, editado por Mateus Colombo Mendes e contando com fotos do acervo pessoal de Paulo Geremia e fotografias em cores de Manoel Petry. A Coordenação Editorial foi da renomada empresa Critério - Resultado em Opinião Pública.
Paulo Geremia, o fundador da Di Paolo, nas primeiras páginas da obra fala de fazer, ensinar e inspirar: ensina que na vida é fundamental ter um projeto pessoal, uma razão maior de vida e contar com pessoas que crescem a ajudam os outros a crescer. Paulo Geremia até hoje privilegia as pessoas, a simplicidade e a alegria. Definir, fazer, ensinar, repetir e aprimorar, de modo simples e eficaz, é o que propõe Paulo Geremia, dividindo generosamente com os leitores o muito que a vida lhe proporcionou.
No segundo capítulo Geremia reverencia os bravos antepassados, que, entre muitas contribuições ao Estado, transformaram a culinária original italiana em uma rica culinária de imigração, usando ingredientes locais. As saladas, o galeto, as massas, a polenta, os queijos, os molhos e o pão da Di Paolo, com sua qualidade e simplicidade, movimentam as mais de 20 casas da rede e fornecem emprego a mais de 500 pessoas. Di Paolo é referência nacional em gastronomia, com sua fartura e alegria, típicas da zona colonial italiana.
Nas outras partes a obra fala de família, do começo, de tradição e renovação, de consolidação e de expansão e das enormes ligações da Di Paolo com Bento Gonçalves, uma cidade criada por mãos humanas e divinas. Bento e Di Paolo são presentes de Deus para a humanidade.
A obra mostra esse case della serra gaúcha através dos depoimentos de Jorge Gerdau, Clovis Tramontina, Daniel Randon, Roberto Argenta, Roberto Kehl, Adriano Miolo, Letícia Zanesco e Maria Adamoli. Um galeto é para sempre.
Lançamentos
Nós (Avis Rara, 224 páginas, R$ 59,90), de Eugene Zamiátin, é um romance considerado fundamental do gênero distópico. Baseado nas experiências com as Revoluções Russas de 1905 e 1917, traz uma realidade distópica sobre liberdade individual. Nós inspirou 1984 de George Orwell. Orwell prefaciou Nós.
Olhe de Novo - O poder de perceber o que sempre esteve ao seu redor (Editora Intrínseca, 240 páginas, R$ 69,90), de Tali Sharot, professora de neurociência, e Cass R. Sunstein, acadêmico jurídico, analisa como novos pontos de vistas resultam em inovações surpreendentes. Na obra, os autores nos ajudam a olhar o entorno com novas perspectivas.
Escritoras Israelenses de A a Z (Editora AzuCo, 320 páginas, R$ 70,90), organizado pela escritora e professora Leniza Kautz Menda, da Ufrgs, traz textos dela, de Gustavo Melo Czekster, Ida Bochernitsan e outros sobre 29 escritoras de Israel. É um rico e denso panorama da literatura feminina, com temas como religião, hibridização cultural, diversidade e significância política.
Celular dentro e
fora da sala de aula
Pais estão com pouca ou nenhuma autoridade, colégios idem e aí a questão do uso do celular em sala da aula foi encampada pelo governo federal. O assunto deveria ter sido abordado pelas famílias, professores etc. Daqui a pouco as autoridades vão ditar a pauta das conversas em família, o cardápio do dia e que tipo de videogames a galera poderá curtir e que tipo de filmes e programas poderão assistir na TV etc.
Há uns 20 anos, na casa da minha mãe, quando eu tinha uns 50 anos e ela uns 76, a diarista Araci, que tinha 50, perto da pia da cozinha, me mandou largar o celular e falar com ela e com as demais pessoas que estavam na casa. Araci estava certa e segue certa. O celular se tornou o que era e é a televisão: uma máquina de fazer doido. Claro que, bem utilizado e por número de horas que não exceda a onze por dia, o celular é um instrumento maravilhoso da tecnologia das comunicações.
Acho que na sala de aula e na hora do recreio está correta a proibição do uso de celular. Claro que isso não devia ser de competência governamental. Talvez fosse razoável permitir uns 10 ou 15 minutos de uso em algum intervalo, para comunicações urgentes, doença ou coisa assim. O uso de celular nas salas de aula, no recreio, corredores etc., por vezes acentua questões de bullying, preconceito e problemas de relacionamento e privacidade. Quando uma de minhas filhas estava no segundo grau, filmagens e mensagens com celular na escola quase foram parar na imprensa e na justiça.
A questão do uso do celular na escola é questão bem mais ampla do que matéria de sala de aula. Daqui a pouco os bebês decerto vão nascer com um celular na mão. Estamos usando demais o celular, em número de horas e em quantidade de mensagens que por vezes era melhor que não circulassem nas redes sociais. Não é a toa que uma das palavras que marcaram o ano passado foi brain rot, escolhida pela Oxford University. O termo significa o apodrecimento cerebral causado pelo excesso de mensagens e conteúdos de pouco ou nenhum valor.
De tanta bobagem circulando na web os usuários estão ficando com danos. O termo brain rot foi criado em 1854, num contexto diferente, mas que já apontava para a mania que o ser humano tem de sofisticar demais as coisas e tornar complexas ideias e ações que poderiam primar pela simplicidade.
Alguns podem pensar que o celular é mais interessante do que qualquer conversa ou contato presencial e preferem viver no mundo virtual. No Japão, o número de jovens que vivem dentro de casa quase o tempo todo olhando para as telas do celular e dos computadores é alarmante. E o pior é que não é só no Japão.
Estudos mostram que especialmente pessoas mais velhas precisam se comunicar, conversar e andar por aí para não ficarem demenciadas antes da hora. Ficar em casa grudado no celular se intoxicando digitalmente com certos conteúdos decididamente manipulados, malévolos e idiotizantes pode ser altamente prejudicial para sua saúde. Se ligue, bico de luz.
A propósito...
A questão do uso do celular na sala de aula serve para a gente constatar, mais uma vez, como estamos carentes de autoridade, ordem e contenção e como o celular pode prejudicar, ao invés de ajudar as pessoas. Esses dias foram divulgados dados sobre diminuição de leitura de livros. Especialmente os jovens, imersos nas traquitanas eletrônicas, não se concentram em leitura de jornais, revistas e livros. Óbvio que ninguém vai aposentar o celular, mas é preciso dar uns limites para o aparelhinho. Ou então ele vai limitar nossa saúde física e mental.
(Jaime Cimenti)