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Geral

- Publicada em 21 de Novembro de 2021 às 10:07

Mobilização alerta para riscos da automedicação com antibióticos

Para evitar o fortalecimento de bactérias, é importante não utilizar antibióticos mais tempo do que o recomendado por médicos

Para evitar o fortalecimento de bactérias, é importante não utilizar antibióticos mais tempo do que o recomendado por médicos


PHILIPPE HUGUEN/AFP/JC
A Semana Mundial de Conscientização Microbiana teve início na quinta-feira (18). A jornada de eventos e iniciativas de entidades médicas vai até o dia 24 e pretende alertar para práticas que dificultam o combate a bactérias, vírus e parasitas.
A Semana Mundial de Conscientização Microbiana teve início na quinta-feira (18). A jornada de eventos e iniciativas de entidades médicas vai até o dia 24 e pretende alertar para práticas que dificultam o combate a bactérias, vírus e parasitas.
A Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) chama atenção para a automedicação com antibióticos e como isso pode fortalecer bactérias, favorecendo infecções cada vez mais resistentes a remédios. As infecções de bactérias muito resistentes são mais comuns e preocupantes.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), relativos a 2019, a cada ano 700 mil pessoas morrem por esse tipo de infecção. Até 2050, a estimativa é que esse tipo de problema possa resultar na morte de até 10 milhões de pessoas.
Pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada em nove países europeus, apontou que pessoas com o hábito de utilizar antibióticos por conta própria acreditavam que estavam se prevenindo de infecções.
Segundo a Sobrasp, apesar de ser necessária uma receita para comprar antibióticos, muitas pessoas não utilizam a integralidade do remédio e acabam guardando para empregá-lo em outras situações, como no caso de uma gripe. Contudo, conforme a entidade, 90% dos casos de rinossinusites são causados por vírus e não demandam o uso de antibiótico para o tratamento.

Fortalecimento de bactérias por meio de antibióticos contínuos

A médica infectologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e diretora científica da Sobrasp, Cláudia Vidal, disse que o uso contínuo ou prolongado de antibióticos pode acabar provocando o fortalecimento de bactérias. "O grande problema é que, quando usamos, ele vai matar as bactérias, mas é um fator de risco, pois as bactérias que sobrevivem são resistentes e vão começar a se multiplicar naquele fator de risco. O contato das bactérias com o antibiótico faz com que o gene do organismo comece a se expressar, com isso ele muda os mecanismos da bactéria e o antibiótico não consegue mais agir", explicou.
A Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente também ressaltou a importância de os profissionais de saúde realizarem um diagnóstico preciso a partir de avaliações clínicas. Ela pondera que a dificuldade de acesso a condições nas unidades de saúde para a realização de exame e consultas pode alimentar um cenário de automedicação.
Segundo a Sobrasp, para evitar atitudes que possam fortalecer de alguma maneira a resistência microbiana, é importante não utilizar antibióticos mais do que o prescrito pelos médicos. Outra recomendação é não utilizar sobras de antibiótico, a não ser que essa aplicação tenha sido recomendada por um médico para uma nova condição de saúde. A Sobrasp afirmou, ainda, que o ato de tomar medicamentos deve ocorrer a partir da indicação médica, e não de familiares, amigos ou conhecidos.
Cláudia acrescentou que prevenir infecções é outra forma de evitar o risco de ter um problema que possa agravar o quadro de saúde. A higiene das mãos, tão popular na pandemia, é um dos hábitos. Nos serviços de saúde é importante evitar que, durante os procedimentos, haja conduta que facilite a infecção no ambiente hospitalar ou ambulatorial.
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