Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 08 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Política

COMENTAR | CORRIGIR

Operação Lava Jato

Notícia da edição impressa de 09/05/2018. Alterada em 08/05 às 20h45min

Polícia Federal divulga planilhas de repasses a aliados de Temer

Delatores revelaram propinas a Yunes, Padilha e Moreira Franco

Delatores revelaram propinas a Yunes, Padilha e Moreira Franco


MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL/JC
Laudo produzido pelos peritos da Lava Jato de Curitiba mostra que as entregas de dinheiro da Odebrecht para o amigo do presidente Michel Temer (PMDB), o advogado José Yunes, e aos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), e de Minas e Energia, Moreira Franco (PMDB), estão atreladas no sistema do departamento de propina da empreiteira a contratos de concessões de aeroportos. O documento corrobora com a hipótese criminal apurada pela Polícia Federal (PF) em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) em que Temer, Padilha e Moreira Franco são investigados por corrupção e lavagem de dinheiro. Solicitado pelo delegado do caso, o laudo já foi anexado ao inquérito, mas é mantido em sigilo.
O inquérito investiga os repasses de propinas revelados por delatores da Odebrecht para campanhas eleitorais do PMDB em troca de favorecimento à empresa em contratos com órgãos públicos, entre eles, a Secretária de Aviação Civil da Presidência da República. Padilha e Moreira Franco comandaram a secretaria, entre 2013 e 2015, no governo Dilma Rousseff (PT).
Os peritos apresentaram no laudo todas as planilhas, e-mails e documentos relacionados aos codinomes Primo, Tabule, Angorá e Kibe encontrados nos sistema Drousys e Mywebday, ambos utilizados pelo departamento de propina da empreiteira baiana.
O primeiro documento relacionado a aeroportos encontrado foi uma planilha em que o codinome Angorá está atrelado ao valor R$ 1,5 milhão proveniente da OTP (Odebrecht Transport). Angorá era o codinome utilizado para designar Moreira Franco, mas, segundo o ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira, também foi usado para entregas ao ministro Padilha.
Em um e-mail de 19 de agosto de 2014, a relação de valores destinados ao codinome relacionado a Moreira Franco e o tema aeroportos ficam ainda mais explícitos. O diretor da OTP Paulo Quaresma escreve a Ubiraci Santos, funcionário do departamento de propina, pedindo que ele programe o pagamento: "Aeroportos/Angora/R$ 3.000.000/Praça: São Paulo".
O delator Benedicto Júnior, o BJ, explicou aos investigadores a necessidade de alocar "as despesas" com os repasses a Moreira Franco, e por isso decidiu por fazê-lo na OTP, porque ela tinha o "aeroporto do Galeão como ativo". BJ disse que autorizou os pagamentos "em razão de ser Moreira Franco uma pessoa muito próxima do núcleo duro do governo federal, sendo um dos mais fortes representantes do PMDB ligado a Michel Temer."
Segundo o delator, os repasses ao atual ministro de Minas e Energia "seriam uma contrapartida por todo o empenho do ministro Moreira Franco nos temas relacionados a concessão do aeroporto do Galeão". Os peritos também encontraram uma planilha anexa a um e-mail de 1 de setembro de 2014. O documento lista a saída de R$ 1 milhão da OTP para o codinome Angorá. Na última coluna da planilha consta uma observação sobre a entrega: "Entregar na rua Capitão Francisco, 90 - Jd Europa. Procurar Sr. José Yunes ou Sra. Cida".
Em depoimento no mesmo inquérito, Abel Queiroz, da transportadora de valores responsável pela entrega, confirmou ter efetuado ao menos duas entregas, entre 2013 e 2014, no local onde fica o escritório de advocacia do amigo e ex-assessor de Temer.
Segundo os delatores da Odebrecht, o chefe da Casa Civil recebeu valores tanto sob o codinome Angorá como Primo. Em um arquivo anexo a um e-mail de 17 de março de 2014, os peritos encontraram o registro da entrega de R$ 1 milhão no endereço onde fica localizado o escritório de advocacia de Padilha em Porto Alegre. O documento atrela o valor a OTP e a "Aeroportos".
As defesas de Temer, Yunes e Moreira Franco negam qualquer envolvimento nos fatos sob apuração, e a Odebrecht afirma que "está colaborando com a Justiça" e que trabalha para "prevenir, detectar e punir desvios ou crimes".
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia