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Porto Alegre, segunda-feira, 14 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Cultura

Notícia da edição impressa de 14/05/2018. Alterada em 14/05 às 20h03min

Belas e lucrativas artes: eventos atraem turistas e geram milhares de empregos no Estado

SERGIO AZEVEDO/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
Ainda se busca um consenso quanto à forma de mensuração dos processos culturais e criativos na economia, mas, segundo estimativa do governo federal, a participação da cultura responde por 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando 1 milhão de empregos diretos em todo o País. Esses números representam um crescimento acumulado de quase 70% na última década, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
No entanto, devido a uma relativa informalidade no meio, o volume pode ser maior, motivo pelo qual o Ministério da Cultura vem realizando, desde 2017, levantamento detalhado sobre o desempenho econômico do setor Brasil afora. Dados recortados de eventos anuais direcionam à conclusão de que somente os festivais culturais (que representam apenas uma mostra da produção do setor) já são responsáveis por movimentar bilhões de reais em todo território nacional.
Eventos como o Festival Internacional de Cinema de Gramado, o Festival Palco Giratório do Sesc e a Festa Literária Internacional de Paraty, entre outras dezenas de acontecimentos culturais periódicos, não só geram empregos diretos e indiretos, como atraem muitos visitantes para os destinos onde acontecem. Dessa forma, fomentam a economia dos municípios, contribuindo também para setores como o comércio e o turismo.
Desde o dia 4 e até o dia 26 de maio deste ano, Porto Alegre vive um de seus períodos mais férteis em atividades artísticas, com a realização do 13º Palco Giratório Sesc-RS, uma verdadeira epopeia cultural com apresentações de teatro, dança, circo, música, cinema, artes visuais, e ações formativas (oficinas, palestras e seminários), que recebe em média (a cada edição) cerca de 30 mil pessoas.
Entre os principais programas de incentivo às artes, o Palco Giratório (que tem um circuito nacional) acontece em períodos diferentes em todo o País. Nesta edição gaúcha, o evento está movimentando mais de R$ 1,3 milhão, com a contratação de 43 grupos, entre coletivos e artistas locais, oriundos de 13 estados brasileiros, além de uma produção Brasil/França.
"Toda uma cadeia produtiva é beneficiada", comenta o gerente de Cultura do Sesc-RS, Silvio Bento. Além de garantir ocupação hoteleira e aumentar o fluxo em bares e restaurantes, a entidade injeta recursos em empresas prestadoras de serviços, ao utilizar técnicos de luz e som, aluguel de geradores e outros equipamentos para dar suporte à infraestrutura necessária para o festival, que é assistido por cerca de 30 mil pessoas.
"Desde sua fundação, o Sesc sempre fez seu trabalho de fomentar a cultura", comenta o gestor, destacando que a instituição também responde por uma série de outras iniciativas, a exemplo do Festival Internacional de Música de Pelotas (que ocorre há oito anos, durante 12 dias, do mês de janeiro, e contempla mais de R$ 27 mil pessoas). Este evento tem como objetivo incentivar o desenvolvimento da produção musical, o intercâmbio e o desfrute de bens culturais, reunindo mais de 500 músicos profissionais mobilizados em 50 espetáculos e 24 cursos.
Na edição deste ano, professores e alunos de 15 nacionalidades estiveram em Pelotas, vindos de países como Itália, Alemanha, Bulgária, Bielorrússia, França, Bélgica, Estados Unidos, Rússia, Argentina, Venezuela, Colômbia, Chile, Uruguai e Peru, além do Brasil, enumera Bento, apontando a importância de eventos do gênero para atrair um "outro público" para as cidades onde ocorrem. "Além dos artistas, também boa parte dos espectadores dos espetáculos ocupam a rede hoteleira, transitam e compram pelo comércio, e utilizam serviços de transportes, restaurantes, entre outros."

Espetáculos para todos os tipos de público

Festival de 
Música de Rua é realizado há sete anos na Serra

Festival de Música de Rua é realizado há sete anos na Serra


/fotos BRENO DALLAS/PRESSPHOTO/JC
Atualmente, o Brasil é palco de centenas de festivais nacionais e internacionais, cada um deles com um perfil musical e de público específico. Outro exemplo no Estado é o Festival de Música de Rua, realizado há sete anos em cinco cidades da serra gaúcha.
Em Caxias do Sul, neste ano, o evento aconteceu de 17 a 25 de março, com concertos ao ar livre, nas ruas, escolas públicas, praças e parques do município; e se encerrou com dois dias de shows na Universidade de Caxias do Sul. Somente ali, foram desembolsados R$ 280 mil para a realização, que contou com o patrocínio da Natura Musical e da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) estadual e do município, além da parceria do Sesc-RS e de universidades locais.
Segundo dados da organização, somente em Caxias, 20 mil pessoas foram conferir shows de diversos estilos, desde rap, passando por música instrumental, corais, música erudita e eletrônica, desempenhados por artistas locais, mas também do Pará, da Paraíba, do México e do Uruguai. "Vem muita gente de fora para assistir", comenta o diretor do festival, Luciano Balen.
As próximas etapas, diz ele, aguardam captação de patrocínios diretos e via Lei de Incentivo à Cultura estadual. "Estamos inscritos no Fundo de Apoio à Cultura do Estado, e o orçamento para as quatro cidades restantes é de R$ 170 mil", destaca o organizador, lamentando que, "desde o episódio que tirou a ex-presidente Dilma (Rousseff) do poder, ficou bem difícil de trabalhar com arte".
"A cultura sofreu muitos ataques, e grande parte do empresariado acreditou na falácia de que artista é tudo 'vagabundo', e que não se deve colocar dinheiro na cultura, mas somente em saúde, educação e segurança", desabafa Balen. O gerente de Cultura do Sesc-RS confirma que, de fato, algumas parcerias de ações compartilhadas com municípios (que geravam uma contrapartida ao investimento da entidade) em anos anteriores foram desfeitas recentemente.
"O que essas pessoas não entendem é que, onde há cultura, há também educação, as pessoas são mais felizes e adocem menos, e as cidades, por serem ocupadas pela população que vai assistir aos espetáculos, são também mais seguras."
Balen destaca que o Festival de Música de Rua segue atuante, gerando mais de 200 empregos diretos (contemplando músicos, produtores, designers, contadores, seguranças e equipes de apoio na limpeza, entre outros). Ele lembra que a excelência na organização desse e de outros eventos pelo Brasil garante tradição, credibilidade e visibilidade, ajudando a marcar também o nome das cidades onde são realizados. "Os casos de sucesso estão espalhados por diferentes regiões do País."
Um outro nome é a Virada Cultural, que acontece em São Paulo. Criada em 2005, promove 24 horas de música e de outras atividades culturais acontecendo simultaneamente em diferentes locais da cidade. Realizado pelo governo municipal, o festival deste ano foi orçado em R$ 13 milhões e deve atrair cerca de 3,5 milhões de pessoas durante os dias 19 e 20 de maio.

Atrações turísticas relevantes

Iara destaca o retorno significativo que o evento tem para a cidade

Iara destaca o retorno significativo que o evento tem para a cidade


EDISON VARA/DIVULGAÇÃO/JC
A coordenadora de Apoio à Comercialização do Ministério do Turismo, Rafaela Lehmann, destaca que eventos culturais, em forma de festivais de teatro, música, cinema ou dança, bem como jornadas e feiras literárias, são geradores de fluxo turístico. "Muitas vezes, o principal motivo da viagem das pessoas é justamente participar de um festival de cultura." Além de movimentar a economia local, utilizando hospedagem, transporte, consumindo em comércio, farmácias, restaurantes, o turista acaba conhecendo os atrativos locais e, muitas vezes, voltando (realizando uma segunda viagem) para conhecer melhor a cidade, observa a gestora. "Os festivais diminuem muito a sazonalidade dos destinos, contribuindo para a diversificação e qualificação da oferta, independentemente de que existam outros atrativos locais."
Rafaela afirma que o turista de cultura tem um gasto médio maior que o de um turista convencional. "O viajante que se desloca motivado por um evento cultural agrega mais valor ao destino, é um turista mais qualificado e utiliza serviços de padrão mais elevado, com tíquete médio maior." Gramado, um dos destinos mais famosos do Rio Grande do Sul, ganhou notoriedade há 46 anos, devido ao Festival Internacional de Cinema. A diretoria de Eventos da Gramadotur (empresa realizadora do evento), Iara Sartori, lembra que outros atrativos foram surgindo no decorrer do período, mas que, até hoje, a maior mídia espontânea para a cidade é gerada pelo festival.
Durante todo o período, 3 mil pessoas do Brasil e de países da América Latina chegam à cidade para participar do evento, que custa R$ 4,5 milhões à organização. "Contamos com patrocínios via LIC e Lei Rouanet", explica Iara. Esse valor está canalizado em hospedagem dos artistas e jurados, curadoria, alimentação, transportes aéreo e terrestre, infraestrutura para cenografia, sonorização e administração do evento. "O retorno é muito significativo para a cidade, pois os visitantes circulam pelo comércio, utilizam serviços de hotelaria, e conhecem os parques e outros atrativos do município", avalia a gestora da Gramadotur. O evento deste ano acontece de 17 a 25 de agosto.

Fomento à distribuição de bens de produtos artísticos movimenta da macro à microeconomia

Fotos do gerente de cultura do Sesc, Silvio Bento no Departamento Regional do Sesc.

Fotos do gerente de cultura do Sesc, Silvio Bento no Departamento Regional do Sesc.


/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Dados preliminares do Sistema de Indicadores dos Festivais de Teatro do Brasil apontam que esses eventos formam um conjunto de atividades econômicas baseadas no conhecimento, com uma dimensão de desenvolvimento que tem relação com níveis macro e micro da economia. Conforme o levantamento, além de tratarem "de questões contemporâneas, como a mobilidade transnacional e o acesso a mercados internacionais", os festivais de artes cênicas expressam "uma ótica de valor econômico diversificado e heterogêneo, viabilizam e fortalecem o ecossistema cultural e criativo dos territórios, profissionalizando empreendedores, e fomentando a distribuição de bens de produtos artísticos no Brasil e no exterior".
Em desenvolvimento desde setembro de 2015, o estudo é realizado pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Face/UFMG) em parceria com o Observatório dos Festivais, a Secretaria da Economia da Cultura do Ministério da Cultura/Núcleo de Estudos em Economia Criativa e da Cultura (NecCult) e a área de Gestão e Implementação de Políticas Públicas do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, ambos da Universidade Federal do Estado do Rio Grande do Sul (Ufrgs), envolvendo 60 festivais integrantes da Rede Brasileira de Festivais de Teatro, com abrangência em cinco regiões do Brasil. De acordo com o documento, entre 2015 e 2017, foram movimentadosR$ 75, 7 milhões na economia brasileira, graças à ocorrência de 51 festivais de teatro em 86 cidades de 18 estados do território brasileiro. Todos esses eventos são continuados, alguns somam mais de 50 anos.
Entre os diversos realizadores não há dúvidas que o Sesc está entre os mais relevantes. No programa Arte Sesc - Cultura Por Toda Parte (realização regional), a entidade trabalha todo o Estado com eventos não somente nas áreas de teatro e música, mas também de literatura e cinema. Dentro destes temas estão outros projetos, como Aldeias Sesc, Mostras de Artes Cênicas, Rio Grande no Palco, Teatro a Mil, Banco Sesc de Partituras, Sesc Música, Sonora Brasil, Arte da Palavra, Bibliotecas, Feiras de Livro (neste ano, estão previstas 80, ocorrendo em todo Estado), unidades móveis de BiblioSesc, Sesc Mais Leitura, e Mostras de Cinema. "São eventos pontuais", destaca o gerente de Cultura da entidade, Silvio Bento. O Palco Giratório também tem edição em outras 16 cidades gaúchas, que recebem espetáculos em quatro momentos distintos. "Essa gama de atividades que chegam aos municípios aquece não somente a hotelaria e o setor de serviços, mas também postos de combustíveis, empresas de transportes, salões de beleza e até os pipoqueiros que ficam em frente aos teatros."
De acordo com Bento, o investimento do Sesc-RS em cultura gira em torno de R$ 20 milhões por ano. Todos os recursos são privados, originados de parte da contribuição compulsória (percentual) das empresas de comércio e bens e serviços (que sai da folha de pagamento dos funcionários e é destinada à existência do Sesc e também do Senac). "Deste montante, R$ 9,5 milhões são para as artes cênicas, R$ 600 mil para artes visuais, R$ 460 mil para projetos de audiovisual, R$ 2,3 milhões para as bibliotecas, R$ 940 mil para projetos de literatura, e R$ 6,2 milhões para a música, fora os investimentos em tudo que envolve estas atividades, a exemplo do salário dos servidores envolvidos, a capacitação de pessoas e a infraestrutura."
Lembrando que o acesso à cultura é fundamental para o desenvolvimento da sociedade, "proporcionando novas visões de mundo e contribuindo para o bem-estar das pessoas", Bento destaca ainda que a promoção da diversidade das manifestações artísticas e culturais em todo estado é favorecida através da descentralização das ações. "Fazemos nosso papel, oportunizando a acessibilidade aos bens culturais e firmando a missão e propósitos da instituição."
 

Festival de Bonecos encanta visitantes e consagra Canela no cenário cultural


CIGANA/DIVULGAÇÃO/JC
Durante nove dias seguidos, a população e os visitantes de Canela respiram cultura graças aos espetáculos, debates e integração do Festival Internacional de Teatro de Bonecos, que ocorre anualmente, em outubro. Em 2017, foram injetados R$ 442 mil para mais de 40 atrações de 16 companhias gaúchas, nacionais e internacionais, que encantaram 15 mil pessoas (adultos e crianças).
De acordo com a coordenadora do Bonecos Canela, Lisiane Berti, o município "desponta no cenário cultural por insistir e resistir realizando esse festival tão importante, integrando comunidade, bonequeiros do mundo todo e artistas locais". Realizado pela Fundação Cultural, com patrocínio máster dos Correios e Petrobras, e apoio da prefeitura municipal, através do Conselho Municipal de Políticas Culturais, em 2018, o evento ocorrerá de 12 a 21 de outubro.
"Graças a Jornada Literária de Passo Fundo, autores e público circulam por uma semana na cidade, injetando dinheiro na hotelaria, bares, restaurantes e todo comércio", comenta a professora Fabiane Verardi Burlamaque, coordenadora do evento. Realizada pela Universidade de Passo Fundo, em parceria com a prefeitura municipal, a jornada movimenta R$ 2,7 milhões, captados via Lei de Incentivo à Cultura e Lei Rouanet, possibilitando a reunião de mais de 80 escritores/autores na cidade.
O evento bianual acontece há 37 anos e está entre as maiores movimentações literárias da América Latina, incluindo também os municípios de entorno. Na última edição, ocorrida em outubro, contemplou 22 mil pessoas (contabilizando as atividades da Jornadinha Literária, destinada às escolas da cidade). "É um número alto de pessoas atendidas, incluindo turistas que vieram de todas as regiões do País", comenta Fabiane.
 
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