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Porto Alegre, segunda-feira, 01 de maio de 2017. Atualizado às 22h48.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Notícia da edição impressa de 02/05/2017. Alterada em 30/04 às 16h58min

Setor de beleza supera a crise

A crise ainda não chegou ao fim, mas as empresas do setor de cosméticos já perceberam que o brasileiro não está disposto a cortar da sua cesta de compras alguns dos mimos que se habituou a consumir quando a economia estava em expansão. Quando o assunto é batom, produto para pele ou cabelo, a fidelidade a marcas pesa na decisão. Levantamento da consultoria Euromonitor mostra que, em 2016, as vendas dos produtos premium tiveram alta de 9,1%, enquanto os populares avançaram 4,4%. A tendência começou no ano anterior, quando os itens mais sofisticados registraram aumento de 16,6% nas vendas e os cosméticos de massa tiveram queda de 1,3%.
A receita de expansão do setor combina dois ingredientes: o consumo das faixas de menor renda cai, o que afeta as vendas de produtos populares, e quando o consumidor é obrigado a rever o orçamento, na conta final prevalece a autoindulgência, aquela tentativa de manter "pequenas alegrias do dia a dia" mesmo num cenário de maior controle de gastos. Entre os cosméticos premium mais vendidos estão batons, esmaltes e produtos de cuidado com a pele, sobretudo os de proteção solar.
No Brasil, de modo geral, os campeões de venda do setor de beleza são desodorantes e tratamentos para o cabelo. "Estimamos que esse movimento de venda em ritmo mais acelerado de produtos premium deve continuar no Brasil até, ao menos, 2019", diz Alexis Frick, gerente de pesquisa da Euromonitor.
A advogada Rafaela Dialma, de 32 anos, aceita pagar o preço da fidelidade às marcas preferidas. "Compro as marcas importadas porque acho que dão mais resultado e têm melhor durabilidade. O custo benefício acaba sendo mais vantajoso", aponta Rafaela. Outros estudos corroboram as projeções da Euromonitor. Segundo a britânica Mintel Group, de todos os segmentos analisados pela consultoria, apenas cosméticos e produtos de limpeza mostram curvas de crescimento consistentes. Para o setor de cosméticos, a projeção é de alta de 10,2% ao ano até 2019, quando o mercado chegaria a R$ 107,3 bilhões.
O Brasil deve passar pelo efeito batom (fenômeno que leva o consumidor a gastar mais com cuidados pessoais, mesmo em tempos de crise). Como batons são produtos mais baratos, assim como esmaltes, eles ainda são acessíveis em tempos difíceis e podem ser vistos por muitos como um agrado. "As oportunidades de crescimento também estão nos consumidores cientes da importância de cuidar da pele e procurar itens inovadores", explica Renata Moura, analista da Mintel.
Apesar das projeções favoráveis para o segmento, o mercado de cosméticos premium no País ainda é pequeno, composto quase integralmente por produtos importados, e representa cerca de 4% do total, segundo Frick, da Euromonitor. Nos Estados Unidos, essa fatia chega a 30% e, na Coreia do Sul, a 44%. O gerente de pesquisa da Euromonitor destaca outros fatores que impulsionaram as vendas no segmento, como o fato de a maior parte dos itens ser importada e a redução em viagens ao exterior registrada no ano passado. "A parte do consumo que era feito no exterior migrou para as lojas nacionais. Isso também ajuda nesse aumento da curva de venda dos produtos premium", alega.
Outro reflexo desse quadro é a evolução das marcas importadas no mercado nacional. A Sephora, conhecida mundialmente por reunir os mais variados itens de cosméticos importados, é um exemplo. A rede chegou ao Brasil em 2012, com uma loja no templo de luxo JK Iguatemi, em São Paulo. Hoje, a varejista já tem 23 lojas e sete pop-up stores e está presente em sete estados e no Distrito Federal, além disso, o e-commerce cobre todo o território nacional.
Há ainda outras iniciativas, como o lançamento da L'Occitane au Brésil, linha de produtos com lojas específicas que usam como base itens tipicamente brasileiros, em 2013. Foi a primeira vez que a tradicional marca francesa L'Occitane desenvolveu um portfólio específico para um país. Isso é devido, principalmente, ao sucesso de vendas de cosméticos e produtos de beleza do Brasil. O mesmo vale para a rede de spas da marca, inaugurada por aqui e que serviu de inspiração para os franceses criarem uma divisão exclusiva para o segmento na matriz e expandir a ideia para outros países.
A brasileira Natura também tem fortalecido seu posicionamento no segmento premium. De acordo com a empresa, as categorias de perfumaria, cosméticos e cuidados com o corpo têm sido periodicamente contempladas com lançamentos de itens de maior valor e com alta tecnologia empenhada.
É o caso da nova linha de maquiagens chamada Una, para a qual a empresa dedica meses de pesquisa tecnológica para desenvolver os produtos. Na perfumaria, categoria foco da Natura para este ano, a marca tem lançamentos de fragrâncias do segmento premium, como os Deo Parfums Essencial Elixir, llía e Esta Flor.
 
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