O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgou uma lista de aproximadamente 1,3 mil produtos chineses que devem ser tarifados pelo governo americano. No comunicado, a administração de Donald Trump propõe um imposto adicional de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos importados da China, a menos que Pequim faça grandes concessões comerciais e de investimentos em breve.
O representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, determinou que os atos, as políticas e as práticas do governo chinês relacionados a transferência de tecnologia, propriedade intelectual e inovação "não são razoáveis e restringem o comércio dos EUA". Com isso, o governo norte-americano incluiu na lista produtos farmacêuticos, de aviação, semicondutores e até bens intermediários, como máquinas e produtos químicos, de acordo com o USTR. Máquinas de lavar louça e motocicletas também foram alvo das ações do governo Trump.
Nenhuma das tarifas entra em vigor imediatamente, de acordo com a administração Trump. As empresas norte-americanas têm até 22 de maio para levantar objeções à proposição das tarifas, com uma audiência pública sobre a questão marcada para 15 de maio.
Os Estados Unidos impôs tarifas às importações da China devido ao "dano estimado à economia" norte-americana. No documento de 58 páginas, o governo norte-americano diz que a imposição das tarifas é julgada como apropriada devido ao uso de "uma variedade de ferramentas, incluindo processos de aprovação administrativa opaca e discricionária, requisitos de joint venture, limitações de participações estrangeiras, aquisições e outros mecanismos para regular ou intervir nas operações das empresas dos EUA na China, a fim de exigir ou pressionar transferência de tecnologias e propriedade intelectual para empresas chinesas".
O governo dos Estados Unidos se utilizou ainda de um entendimento da Organização Mundial do Comércio (OMC) em relação à regulação sobre tecnologia para justificar a imposição das tarifas. Alvo recorrente de críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, a OMC iniciou, em 23 de março de 2018, a pedido de Washington, consultas ao governo da China em relação a aspectos específicos dos regulamentos de tecnologia chineses, considerados na investigação do processo divulgado ontem.